Até mesmo as commodities agrícolas, como a soja, tem registrado expansão moderada. Com o dólar mais barato, na faixa de R$ 2,75, os produtos brasileiros perdem competitividade e os saldos da balança, que vêm puxando o crescimento econômico brasileiro, tendem a ficar menos vigorosos.
Na contramão, produtos como aço, que tem o preço regulado no mercado internacional, matérias plásticas e embalagens têm ajudado a pressionar a inflação. Além disso, a forte alta dos combustíveis, após os reajustes concentrados nos meses de outubro e novembro do diesel e da gasolina, anunciados pela Petrobras, foi responsável pela aceleração da inflação em novembro.
Se os insumos estão seguindo uma trajetória consistente de avanço de preços, não se pode dizer o mesmo do ritmo de expansão da atividade industrial. Em setembro, a indústria registrou crescimento zero. Apesar da esperada perda de fôlego após seis meses de crescimento, a estabilidade acende o alerta de que nem mesmo as encomendas de fim de ano teriam sido capazes de dar suporte ao crescimento da indústria.
No comércio a perda de fôlego foi mais clara. Em setembro, as vendas aumentaram 8,87%. Em julho, a expansão chegava a 12%. Segundo o IBGE, o resultado pode refletir a chegada ao limite da capacidade de endividamento das famílias. Isto porque com a melhora do emprego e da renda no primeiro semestre, a expansão do comércio e da indústria foi calcada nos bens duráveis.
Com isso, o crédito vem perdendo espaço junto aos consumidores. Os indicadores de emprego e renda também têm mostrado sinais dúbios. Enquanto o desemprego cai com consistência, a renda alterna momentos de expansão e retração. Em outubro, ela caiu em razão da qualidade do emprego gerado no país. Com o aumento das vagas na construção civil, setor que historicamente é reconhecido pela baixa remuneração, a renda acabou por diminuir.
Apesar das dúvidas quanto à capacidade de expansão da economia brasileira, analistas estão otimistas com o resultado de 2004. O Ipea não chegou a divulgar previsão para o PIB em razão da expectativa por uma possível revisão na projeção para o ano. A previsão inicial era de um crescimento de 4,6% para o ano.

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