Balança tem superávit depois de 25 meses
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Agência Estado 
Pela primeira vez nos últimos 25 meses, a balança comercial brasileira registrou um superávit em junho: a diferença entre as exportações de US$ 4,886 bilhões e as importações de US$ 4,874 bilhões indicou um saldo positivo de US$ 12 milhões. Apesar de modesto e não representar grandes mudanças, o superávit do mês passado, divulgado ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT), foi comemorado por ser o primeiro desde os US$ 268 milhões de saldo positivo registrados em maio de 1996. O superávit ainda será revisado, por conta do cancelamento de contratos de importação fechados mas não efetivamente realizados, como ocorre mensalmente.
Com esses novos dados, as exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano ficam em US$ 25,968 bilhões, e as importações, em US$ 28,003 bilhões. O déficit da balança comercial de janeiro a junho deste ano, de US$ 2,035 bilhões, é inferior ao saldo negativo de US$ 3,743 bilhões registrado durante os seis primeiros meses de 1997. Mas os resultados de junho mostram também uma tendência de aumentar o ritmo de crescimento das importações, mantido até agora estável.
Na quinta semana de junho, que só teve dois dias úteis, a diferença entre as exportações de US$ 436 milhões e as importações de US$ 529 milhões gerou um déficit de US$ 93 milhões, o terceiro consecutivo do mês. Foram os superávits de US$ 283 milhões, na primeira semana, e de US$ 28 milhões, na segunda, que garantiram o pequeno saldo positivo do mês.
Ao longo de junho, a média diária de importações só aumentou. Evoluiu de US$ 198,6 milhões na primeira semana para US$ 219,5 milhões na segunda, para US$ 243,2 milhões na terceira, para US$ 251,6 milhões na quarta e chegou a US$ 264,5 milhões na quinta semana. Acabou ficando em US$ 232,1 milhões no final do mês.
Já as exportações, seguiram rumo inverso. A média diária de vendas ao exterior foi caindo, recuando de US$ 255,2 milhões na primeira semana para US$ 226,5 milhões na segunda e para US$ 223,8 milhões na terceira. Na quarta semana deu uma recuperada, subindo para US$ 229,8 milhões, mas voltou a descer na quinta semana para US$ 218 milhões.
A média diária das exportações do mês acabou ficando um pouco superior à das importações: US$ 232,7 milhões. Mas, no seu boletim mensal, a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) alerta que essa tendência, de aumento gradual das importações e redução das exportações, será ainda maior nos próximos meses.
O motivo, segundo o economista Ricardo Markwald, da Funcex, é uma diferença cada vez maior entre os preços dos produtos que o Brasil vende e compra no exterior. Nos primeiros cinco meses do ano, o Brasil aumentou em 7,8% as quantidades de suas exportações, em relação ao mesmo período em 1997. Mas o valor de suas vendas caiu em 0,3%. Em compensação, as importações, cujo volume foi reduzido em 1%, ficaram 0,3% mais caras.
Segundo as previsões de Renato Fonseca, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e consultor da Funcex, a balança comercial do ano deve fechar com um saldo negativo de aproximadamente US$ 5,5 bilhões. Ainda esperamos algo entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões, disse. Mas o encarecimento das importações deverá reduzir o atual ritmo de redução do déficit.


