Brasília As maiores exportações da história e importações estagnadas garantiram nos primeiros cinco meses do ano um saldo comercial recorde, de US$ 8,045 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses (junho de 2002 a maio de 2003), os dados também quebram recordes históricos.
Pela primeira vez as exportações brasileiras em 12 meses superaram a marca dos US$ 66 bilhões. Chegaram a US$ 66,517 bilhões. O resultado foi um superávit comercial (exportações menos importações) de US$ 19,272 bilhões. Neste ano, a meta é exportar US$ 68 bilhões.
Desde de janeiro, o Brasil tem conseguido aumentar suas vendas em todas as categorias de produtos. As exportações que mais cresceram foram as de produtos básicos (49,1%), como soja e café em grãos. De janeiro a maio deste ano, as exportações brasileiras cresceram em média 29,3% com relação ao mesmo período do ano passado. Passaram de US$ 20,973 bilhões para US$ 27,128 bilhões.
As vendas que menos cresceram foram as de produtos manufaturados, considerados as exportações mais vantajosas para o País. O aumento desta categoria, que inclui carros e aviões, foi de 23,3%. Mesmo assim, o Brasil nunca exportou tantos manufaturados.
''O preço dos produtos manufaturados estão estáveis. No caso dos básicos, como soja, houve um aumento nos preços'', afirma o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, para justificar o desempenho dos bens industrializados (manufaturados) inferior ao das outras categorias.
A estagnação das importações também contribuiu para o maior saldo comercial da história para os primeiros cincos meses do ano. De janeiro a maio, o Brasil comprou do exterior US$ 19,083 bilhões, apenas 0,1% mais que no mesmo período do ano passado.
A estagnação das importações não é necessariamente uma boa notícia. As compras que mais caíram foram as de máquinas e equipamentos (16%), fundamentais para a modernização e o aumento da capacidade de produção das fábricas no País. As únicas importações que cresceram foram as de combustíveis e lubrificantes (15,4%) e de matérias-primas (6,9%).
Em maio, a desvalorização do dólar não afetou a balança comercial. Ao contrário do que aconteceu na média do ano, as compras externas de fato caíram, 4,9%.
Por outro lado, as exportações cresceram mais do que no resto do ano, 43,5%. Chegaram a US$ 6,372 bilhões, o melhor desempenho para um mês de maio. O destaque do mês foram as vendas de soja, que totalizaram US$ 690 milhões. Boas exportações e quedas das importações resultaram no melhor saldo comercial mensal da história, de US$ 2,507 bilhões. O recorde anterior foi em setembro do ano passado, de US$ 2,500 bilhões.
Ramalho se recusou a comentar qual será o impacto do novo valor do dólar na balança comercial brasileira. Como os contratos de exportação e importação são fechados com antecedência, a apreciação do real ainda não chegou ao comércio exterior.

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