A balança comercial brasileira registrou, em junho, um superávit de US$ 42 milhões, decorrente de exportações totais de US$ 4,886 bilhões e importações de US$ 4,844 bilhões. Foi o primeiro resultado positivo desde maio de 96. Segundo o secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes, o superávit foi alcançado graças ao aumento das exportações, combinado com um recuo nas importações. Nos primeiros seis meses do ano, o saldo acumulado é um déficit de US$ 2,002 bilhões.
‘‘No primeiro semestre, o destaque foi o forte crescimento das exportações de produtos manufaturados, que se confirmou como uma tendência, e a redução expressiva no déficit da balança comercial’’, comentou o secretário de Política Econômica, Amaury Bier. De janeiro a junho deste ano, a venda de manufaturados cresceu 14,27%, o que permitiu o crescimento das exportações globais, apesar da queda de 10,92% nos embarques de produtos básicos. Comparado com o primeiro semestre de 97, as exportações brasileiras cresceram 4,76%.
‘‘Esse novo posicionamento das vendas externas denota a mudança que está ocorrendo no perfil de nosso comércio exterior’’, disse Maurício Cortes. O aumento da participação dos produtos industrializados na pauta de exportação, segundo sua avaliação, é consequência da modernização da atividade produtiva do País. Amaury Bier explicou que uma maior presença de manufaturados é positiva, pois seus preços são menos sujeitos a variações de mercado, como ocorre com produtos básicos.
No primeiro semestre, as vendas de automóveis cresceram 108,39%, a de autopeças aumentou 21,01% e a de aviões, 90,57%. Houve também um crescimento de 11,1% nas vendas de produtos semimanufaturados, principalmente celulose, óleo de soja e açúcar. A queda nas exportações de básicos se deveu à queda das cotações do café e da soja no mercado internacional.
As importações globais tiveram queda de 1,96% no primeiro semestre, colaborando para a melhora no saldo comercial. Para os próximos meses, porém, a tendência deverá mudar. ‘‘Não teremos mais um declínio como o registrado nos últimos meses’’, admitiu Bier. As compras no exterior deverão crescer em função do aumento no nível de atividade econômica no Brasil.

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