Balança tem primeiro superávit desde agosto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de março de 2001
Agência Folha De Brasília 
Pela primeira vez desde agosto do ano passado, as exportações brasileiras foram maiores do que as importações. No mês passado, a balança comercial registrou superávit de US$ 80 milhões. Apesar do resultado positivo de fevereiro, o saldo comercial acumulado no ano continua negativo: o déficit é de US$ 399 milhões.
A pequena recuperação da balança foi impulsionada, principalmente, pela queda das importações. Em fevereiro, elas totalizaram US$ 4,003 bilhões, queda de 2,5% em relação a janeiro. No mesmo período, as exportações cresceram 10% e somaram US$ 4,083 bilhões no mês passado.
Para o secretário-adjunto de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, a expectativa é que as exportações continuem crescendo ao longo do ano. A tendência é o equilíbrio ou mesmo o superávit (da balança comercial) nos próximos meses. Ramalho disse que a Secretaria de Comércio Exterior não tem nenhuma estimativa para o resultado da balança neste ano. No Banco Central, a previsão é que o saldo fique positivo em US$ 1 bilhão. Mas alguns bancos chegam a prever um déficit de cerca de US$ 1,5 bilhão para o ano.
Entre as exportações realizadas em fevereiro, o destaque foi o crescimento de 11,3% registrado nas vendas de produtos manufaturados para o exterior. As exportações de automóveis totalizaram US$ 143 milhões no mês passado, um aumento médio de 57,4% em relação a janeiro. As vendas de calçados chegaram a US$ 140 milhões, alta de 24,7% no período.
Mesmo com o embargo imposto no mês passado por Canadá, Estados Unidos e México à carne bovina brasileira, as exportações do produto cresceram 6,9% em fevereiro. Segundo Ramalho, os EUA ficaram entre os cinco maiores compradores. Segundo ele, uma explicação para este aumento é o fato de os dados da balança comercial considerarem apenas os produtos embarcados. Mesmo depois de embarcada, a carne pode ter ficado retida nos portos norte-americanos.
Ramalho disse ainda que, em janeiro, a exportação de carne bovina havia crescido 40%. O aumento menor registrado em fevereiro poderia ser consequência do embargo ao produto brasileiro. Seria prematuro fazer, hoje, uma análise sobre esse comportamento, disse. Conclusões mais acertadas poderão ser alcançadas quando forem divulgados dados mais detalhados sobre a balança de fevereiro, o que deve ocorrer em duas semanas.
Do lado das importações, o destaque foi a queda nas compras de máquinas e equipamentos. O volume dessas importações ficou em US$ 1,077 bilhão no mês passado, redução de 2,6% em relação a janeiro. Segundo Ramalho, o volume de máquinas e equipamentos importados em janeiro foi excepcionalmente alto, consequência da redução do Imposto de Importação para alguns desses produtos. A queda do preço do petróleo no mercado internacional também ajudou a balança. Os gastos com o produto caíram 14,6% no mês passado. Além de o Brasil ter comprado uma quantidade menor de petróleo, a queda de 1,3% na cotação do produto ajudou na redução das importações.


