Dois dias antes de acabar o mês, o saldo da balança comercial de outubro já estava negativo em US$ 612 milhões. É o segundo maior déficit mensal desde janeiro de 1999, quando o resultado das importações e exportações brasileiras foi negativo em US$ 696 milhões.
Na semana passada, o saldo foi um déficit de US$ 175 milhões. Nesse período, houve aumento de 6,3% nas importações, que totalizaram US$ 1,292 bilhão, contra um crescimento de 5,5% nas exportações, que somaram US$ 1,117 bilhão. Com esses resultados, o superávit acumulado do ano caiu para US$ 105 milhões.
Depois de atribuir ao aumento do preço do petróleo a principal razão para o fracasso da balança comercial nas últimas semanas, o governo admitiu preocupação com o crescimento das importações de componentes para eletroeletrônicos. Esse setor já acumula um déficit de US$ 6,8 bilhões. No caso da importação de petróleo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior reviu a projeção de déficit de US$ 6,5 bilhões para US$ 8,5 bilhões até dezembro.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, disse que o governo não contava com a alta demanda por componentes para o setor de telefonia quando previu um superávit de US$ 2,8 bilhões para o saldo da balança comercial deste ano, meta que já foi abandonada. A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, admitiu que a balança poderá ter um déficit de cerca de US$ 200 milhões. Mas a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) prevê que o déficit fique em até US$ 400 milhões.