Albari Rosa/Arquivo FolhaCarta na mangaEmbarque de açúcar no Porto de Antonina: exportações brasileiras nos primeiros meses de 98 foram 11,6% maiores que no mesmo período do ano passado. Com a venda dos produtos agrícolas, governo projeta superávit em março A balança comercial fechou o mês de fevereiro com um déficit de US$ 214 milhões. O governo comemorou o resultado, que foi o menor déficit registrado desde maio do ano passado, quando o saldo negativo foi de US$ 100 milhões. No mês passado, as exportações foram significativas (US$ 3,715 bilhões), mas o que mais chamou a atenção foi o baixo volume das importações: o País comprou US$ 3,929 bilhões no mercado externo.
Foi a primeira vez, em 12 meses, que as importações ficaram abaixo de US$ 4 bilhões. ‘‘Não fui surpreendido, mas fiquei satisfeito com o resultado’’, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes. Para ele, a queda nas importações é ‘‘reflexo de uma conjuntura menos expansionista’’ - resultante do pacote fiscal adotado em novembro e da crise asiática - e também uma prova de que o governo conseguiu combater as compras especulativas de bens de capital.
Também influíram nos números a redução dos gastos com a compra de combustível, tanto pela queda do preço do produto no mercado internacional quanto pela diminuição das importações. No primeiro bimestre do ano, as importações foram de US$ 8,507 bilhões, o que representa uma redução de 0,15% em relação aos US$ 8,520 bilhões importados no mesmo período do ano passado.
Essa comparação é mais representativa que a confrontação com os números de janeiro do ano passado porque, no início de 1997, quando foi implantado o Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), muitas importações feitas em janeiro só foram registradas em fevereiro.
As exportações, nos primeiros dois meses de 1998, foram de US$ 7,629 bilhões. O volume é 11,69% maior que o total de US$ 6,830 bilhões exportados no mesmo período do ano passado. Com isso, o déficit neste bimestre - US$ 878 milhões - ficou quase 50% menor que o rombo de US$ 1,690 bilhão registrado nos primeiros dois meses de 1997.
Para Cortes, o crescimento das exportações é consequência da série de medidas que o governo vem adotando para incentivar as vendas ao mercado externo, aliado a um aumento de competitividade dos produtos brasileiros. O secretário lembrou que, no final de 1996, o governo isentou as exportações de produtos primários do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Ao longo do ano passado, alterou várias regras do Proex (Programa de Estímulo às Exportações) para facilitar o acesso ao financiamento.
No início deste ano, também entrou em vigor o seguro de crédito à exportação, que garante o pagamento pelos embarques de mercadorias ao exterior. O secretário afirmou que, com a redução da demanda interna, parte da produção também está sendo redirecionada para as exportações.
‘‘Estamos prevendo que esse padrão de crescimento vai se seguir ao longo do ano’’, afirmou Cortes. Ele lembrou que os produtos agrícolas, que têm enorme peso na pauta de exportações, só começarão a ser vendidos a partir do próximo mês.
O secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, já afirmou que em março a balança comercial terá superávit. Seria o primeiro resultado positivo desde maio de 1996. Segundo Cortes, em fevereiro as exportações que mais cresceram em relação ao mesmo período do ano passado foram as de açúcar, material de transportes, suco de laranja, minérios, produtos químicos e metalúrgicos.

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