Balança tem maior superávit desde 95
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Agência Folha De Brasília 
No mês passado, o Brasil teve o maior superávit comercial desde setembro de 1995, graças à devolução de duas aeronaves da Vasp, que somaram às exportações US$ 160 milhões, e ao bom desempenho das vendas de produtos industrializados. A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 392 milhões, em maio, segundo dados divulgados ontem pela Secex (Secretária de Comércio Exterior). Em setembro de 1995, o saldo foi de US$ 481 milhões.
Se for descontado o valor dos aviões devolvidos pela Vasp ao Japão, por falta de pagamento, o saldo cai para US$ 232 milhões. É o melhor resultado do ano, mas inferior ao de dezembro de 1999, US$ 248 milhões.
De janeiro a maio, a balança comercial acumula superávit de US$ 599 milhões. As operações envolvendo o setor de aviação civil (devolução de aviões e peças) somam US$ 241,9 milhões US$ 160 milhões da Vasp e US$ 81,9 milhões da Varig.
O volume total de exportações em maio, US$ 5,063 bilhões foi o melhor registrado para o mês e o terceiro maior da história do país. No ano, o país acumula exportações de US$ 21,29 bilhões, 17,4% a mais que no ano passado.
Mas, para o próprio secretário-adjunto da Secex, Ivan Ramalho, os volumes recordes de maio não garantem que não será necessário rever a meta de superávit fiscal deste ano, atualmente em US$ 4 bilhões.
Um crescimento vigoroso das importações e baixos volumes de exportação do setor primário estão atrapalhando as estimativas do governo, segundo Ramalho.
As importações de maio atingiram US$ 4,671 bilhões, 14,5% a mais que em maio de 1999. No ano, somam US$ 20,693 bilhões, 11,2% a mais. Dois setores estão pesando no lado das compras, o petróleo, cuja importação subiu 66,1%, e matérias-primas para a indústria, uma alta de 17%. Os dados comparam maio deste ano com maio do ano passado.
Com relação ao petróleo, o governo espera uma redução do preço no segundo semestre. Mas, na opinião de Ramalho, as importações de matérias-primas devem continuar alta.
Como o Brasil está exportando muitos bens industrializados -de janeiro a maio exportou US$ 12,590 bilhões de manufaturas, o melhor resultado da história- e o consumo interno está crescendo, as indústria nacionais aumentam as importações. Boa parte dos insumos usadas na indústria brasileira, por uma questão de competitividade, são importados, disse Ramalho.
Do lado das exportações, o problema é a estagnação no preço dos produtos agrícolas. Até agora, as exportações do básico cresceram apenas 3,5% com relação ao mesmo período do ano passado. É um crescimento de 23,2%, nos bens manufaturados, que está sustentando a balança comercial brasileira.


