Balança tem déficit recorde em fevereiro
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terça-feira, 11 de março de 1997
Agência Estado, de Brasília 
Arquivo FolhaCautelaMendonça de Barros, Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, não comenta dados do início de março, que confirmam importações em alta: É cedo para análisesA balança comercial registrou um déficit recorde de US$ 2,096 bilhões em fevereiro, resultado de exportações de US$ 3,146 bilhões e importações de US$ 5,242 bilhões. Os números, divulgados ontem pelo governo, incluem US$ 473 milhões de importações de petróleo feitas em janeiro pela Petrobras, mas não registradas naquele mês no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Se o gasto com petróleo for computado com os dados de janeiro, o déficit do mês passado cai para R$ 1,623 bilhão, nível também recorde.
Neste caso, entretanto, é preciso considerar que em janeiro a balança comercial teve um déficit de US$ 413 milhões, e não um superávit de US$ 60 milhões, como chegou a ser anunciado anteriormente. Toda essa confusão provocada pela Petrobras, no entanto, está superada, na avaliação do governo, já que o funcionamento do Siscomex, que começou a registrar as importações no início deste ano, já está normalizado. No mês passado o sistema registrou uma média diária de 4.408 declarações de importação.
O governo divulgou também o resultado da balança comercial na primeira semana de março, com déficit de US$ 135 milhões. As exportações foram de US$ 962 milhões, com média diária de US$ 192,4 milhões. As importações atingiram US$ 1,097 bilhão, registrando média diária de US$ 219,4 milhões.
A partir de agora, o governo divulgará semanalmente o resultado global da balança. Até o momento, somente o total das exportações era informado toda semana. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, não quis comentar, porém, os dados da primeira semana deste mês. É preciso um período maior para se fazer uma análise, justificou.
Os dados de fevereiro confirmaram a tendência de agravamento da situação da balança comercial por causa do crescimento das importações. Somente nos dois primeiros meses do ano o déficit acumulado na balança foi de US$ 2,031 bilhões, o que corresponde a 36% do saldo negativo de US$ 5,5 bilhões acumulado em todo o ano de 1996. Esses números indicam que o déficit deste ano tende a ser bem maior do que o do ano passado.
Sem fazer previsões para o ano, o secretário reafirmou que as contas do comércio exterior deverão melhorar a partir deste mês, com o início da comercialização da safra agrícola. A médio prazo, as exportações deverão crescer também, segundo ele, com a maturação dos investimentos que estão sendo feitos no País por empresas nacionais e estrangeiras. É um processo de reestrutução da economia no qual, infelizmente, as importações crescem primeiro, disse Barros.
Segundo o secretário, as exportações agrícolas devem ter um acréscimo de US$ 1,8 bilhão este ano. Além do crescimento da safra, que deve atingir 81 milhões de toneladas de grãos, contra previsão anterior de 78 milhões, os preços de produtos como o café e a soja, dois dos principais itens da pauta de exportação do País, estão em recuperação no mercado internacional.
Do ponto de vista do governo, enquanto a balança não registrar números mais favoráveis, os déficits, mesmo que sejam mais elevados, continuarão sendo cobertos sem maior dificuldade pelo ingresso de recursos externos na economia sob a forma de empréstimos e investimentos.


