Agência Estado
De São Paulo
A balança comercial registrou déficit de US$ 181 milhões em agosto, após um superávit de US$ 94 milhões em julho. A causa para a queda no resultado foi o expressivo aumento das importações, que cresceram 10,8% em valor em relação ao mês anterior. Apesar de também avançarem, as exportações cresceram 3,9% em comparação a julho. Em agosto o País importou US$ 4,458 bilhões, ante US$ 4,023 de julho. Já as exportações cresceram de US$ 4,117 bilhões em julho para US$ 4,277 bilhões em agosto.
O aumento no volume de importações foi provocado principalmente pela queda nos preços das commodities e a alta de 15% do preço do pétroleo, o que elevou em 36,8% os gastos com combustíveis e derivados em agosto em relação a julho. Segundo a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, apesar do déficit o comportamento de agosto ‘‘indica a manutenção da tendência de recuperação das exportações a partir de março, especialmente os manufaturados’’. As vendas desse segmento cresceram 9,1%, o que equivale a US$ 2,4 milhões, o maior volume registrado pelo setor desde 1998.
O reaquecimento da atividade econômica também elevou as importações. Além disso, a expectativa do mercado, de que não seria renovado o regime especial automotivo, que garante redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros, pode ter contribuído para o aumento das importações dos carros, que foi 41% maior em agosto do que em julho.
O secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Botafogo Gonçalves, admitiu que a meta de crescimento econômico de 4% anunciada na terça-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso pode refletir no resultado da balança comercial do ano que vem. ‘‘Pode haver aumento de importação, na medida em que cresce a atividade econômica’’, disse. ‘‘Mas o Programa Avança Brasil está totalmente consistente com a política de aumento de exportações, na medida que está centrado no desenvolvimento’’.
As principais exportações de manufaturados foram os aviões para os Estados Unidos, com um aumento de 17,6% com relação ao resultado alcançado em julho; automóveis, principalmente para o México, Itália e França, com aumento de 31% nas vendas; autopeças, para Estados Unidos, Argentina e Alemanha, com aumento de 17,1%; aparelhos transmissores e receptores para os Estados Unidos, Argentina e México, com alta de 64,1%; e veículos de carga para a Itália, Chile e França, com acréscimo nas vendas de 30,2% com relação a julho.
As exportações acumuladas desde o início do ano são de US$ 30,840 bilhões e as importações são de US$ 32,546 bilhões.Aumento das importações provocou saldo negativo em agosto, interrompendo a recuperação iniciada em julho
Agência BrasilIMPACTO DIRETOBotafogo Gonçalves, secretário da Câmara de Comércio Exterior, diz que a meta de crescimento anunciada por Fernando Henrique Cardoso poderá refletir na balança de 2000

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