Balança registra maior déficit do ano
Agência Estado
De São Paulo
A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 529 milhões em novembro, resultante de exportações de US$ US$ 4,002 bilhões e importações de US$ 4,531 bilhões, conforme dados divulgados ontem pelo secretário adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho.
Este resultado, US$ 375 milhões acima de outubro passado e o maior verificado neste ano, eleva o saldo negativo acumulado nos últimos 11 meses para US$ 1,452 bilhão, valor próximo à meta repactuada com o Fundo Monetário Internacional para este ano, entre US$ 1,5 a US$ 2 bilhões.
O aumento significativo do déficit de novembro, segundo Ivan Ramalho, foi causado por uma redução de 7% nas exportações em relação ao mês anterior, especialmente de grão e farelo de soja. Esta redução, conforme ele, significou uma diminuição de cerca de 30% na receita cambial na comparação novembro/outubro.
Também contribuiram para o descompasso da balança comercial as importações de aviões, no valor de US$ 107 milhões, e de bens de consumo não duráveis (alimentos e bebidas) destinados as festas de final de ano. Ramalho salientou que o déficit de novembro também teve um impacto maior na comparação com outubro porque houve uma concentração forte na exportação de alumínio em bruto (mais 23%) e aviões (mais 11%) para o Japão naquele mês. Exportações desse porte não acontecem todos os meses, observou, dizendo que a retração nos embarques de soja já era esperada por ser um fator sazonal.
Apesar do aumento do déficit, o secretário adjunto ressaltou que o resultado de novembro é 48,3% inferior ao déficit alcançado em novembro do ano passado, que foi de US$ 1 023 bilhão. Com relação ao saldo negativo acumulado de janeiro até agora, de US$ 1,452 bilhão, ele explicou que também houve uma redução significativa de 76% em relação aos 11 meses do ano passado, quando esse valor atingiu US$ 6,078 bilhões. Para ter uma avaliação correta do desempenho da balança, deve-se comparar períodos iguais, novembro deste ano com novembro do ano passado, por exemplo, em função dos fatores sazonais que ocorrem, afirmou.
Ivan Ramalho fez questão de ressaltar que as exportações do País deverão continuar melhorando a partir deste mês, não só em aumentos de volume físico, mas em relação à recuperação de preços de commodities, iniciada no mês passado. A redução do déficit de novembro em comparação a igual mês do ano passado continuou ocorrendo, contudo, em função do bom desempenho das exportações de produtos industrializados que tiveram um aumento de 5,8%, respondendo por 56% dos ganhos cambiais obtidos no mês.





