O efeito líquido da desvalorização do câmbio na balança comercial é de um superávit de até US$ 4 bilhões neste ano em relação ao resultado obtido em 1998. Se esse desempenho for alcançado, o déficit na balança de transações correntes, que engloba os gastos com serviços, viagens e remessas de dinheiro para exterior, deverá ficar em US$ 18 bilhões neste ano, ante US$ 32 bilhões em 1998. A expectativa inicial, antes das mudanças no câmbio feitas pelo governo na semana passada, era que o déficit em transações correntes chegasse a US$ 22 bilhões em 1999.
‘‘Com esse resultado, o risco Brasil poderá cair e abrir espaço para o recuo nas taxas de juros; o resto vai depender do ajuste fiscal’’, afirma o presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), o economista Juarez Rizzieri, enfatizando os reflexos positivos das mudanças.
Essa queda no déficit em transações, porém, deixa a situação mais favorável, mas ainda continua desconfortável por causa da escassez de empréstimos para o País. Para avaliar o impacto das mudanças do câmbio na balança comercial, Rizzieri considerou que a desvalorização real, descontada a inflação, deverá ficar em 20% neste ano. Em termos nominais, ele trabalha com projeções de 25%.
Além disso, o economista levou em conta que, para cada 1% desvalorização na moeda nacional perante o dólar, as exportações aumentam em 0,3% e as importações na caem 0,3%. Ele não ponderou em seus cálculos os custos adicionais de financiamento.

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