Balança pode frustrar meta do FMI
Ed Ferreira/Agência EstadoBOAS E MÁS NOTÍCIASFábio Barbosa, da Secretaria do Tesouro Nacional, e Edward Amadeo, secretário de Política Econômica, anunciaram ontem os números do Tesouro em junho e o boletim mensal de conjuntura econômicaO governo admitiu ontem que a recuperação das exportações no segundo semestre pode não ser suficiente para garantir o superávit de US$ 3,7 bilhões da balança comercial, projeção que consta do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, a substituição de importações será o principal fator na obtenção do superávit.
‘‘Não acredito que o desempenho da balança comercial será favorecido com o aumento das exportações’’, afirmou o secretário. Ele previu, no entanto, que no próximo ano o superávit da balança ficará entre US$ 9 bilhões e US$ 11 bilhões.
Ao divulgar os dados do boletim macroeconômico referente ao comportamento da economia no primeiro semestre, Amadeo afirmou que a desvalorização cambial ocorrida em janeiro já promoveu a substituição de importações em vários setores da economia. Mesmo assim, segundo ele, ainda é preciso esperar para ver se a meta de superávit de US$ 3,7 bilhões é atingível. ‘‘A meta é difícil mas não impossível de ser cumprida’’, destacou.
De acordo com o boletim, a substituição de importações já é fato nos setores de bens não-duráveis (alimentação e higiene, por exemplo), semi-duráveis (vestuário e calçados) e intermediários (usados na fabricação de outros bens, como papelão e produtos químicos). ‘‘O nível de produção destes bens já é o maior desde o início de 98’’, disse Amadeo.
Por outro lado, o setor de bens duráveis, como as linhas branca (geladeiras e fogão) e marrom (eletroeletrônicos), automóveis e bens de capital ainda estão retraídos. ‘‘Nos deprimidos, a ênfase é no setor de automóveis’’, afirmou o secretário.
Ele estimou que a recuperação deste setor começa neste trimestre. Para o ano, o governo mantém a projeção de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma variação entre -1% e 0.
Na avaliação de Amadeo, a queda das taxas de juros, como vem ocorrendo, será um dos principais fatores para esta recuperação. ‘‘Certamente os juros serão importantes para a retomada de produção dos bens duráveis’’, comentou. De acordo com o boletim do ministério, os juros reais hoje estão em 13% ao ano, menor nível desde março de 97. ‘‘Para quem vai tomar a decisão de investir ou de se endividar, a queda dos juros é muito importante’’, destacou.
No tocante aos prazos de financiamento, o boletim macroeconômico indica que, desde maio passado, eles começam a atingir os mesmos níveis de 98. No caso específico dos automóveis, por exemplo, em maio já era possível financiar a compra de um carro em no máximo 36 meses, mesmo prazo do final de 98.

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