Balança pode fechar o ano com déficit
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segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Das agências De Brasília 
O superávit da balança comercial este ano está caindo. Depois de ter chegado a US$ 1,036 bilhão no final de agosto, o saldo acumulado no ano caiu até a terceira semana de setembro para US$ 769 milhões. Até o final do ano, a tendência é de resultados negativos, com o aumento das importações devido à proximidade das festas de fim de ano e à alta dos preços internacionais do barril do petróleo.
O governo desistiu de trabalhar com uma meta para o saldo da balança comercial este ano. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, o governo a partir de agora está concentrado apenas em conseguir o máximo de crescimento possível das exportações. Nós não estamos trabalhando hoje com saldo. Estamos trabalhando com o aumento das exportações, coisa que estamos conseguindo fazer, com um percentual ao redor de 20%, disse Tápias.
Ele afirmou que o saldo comercial se expressa por um valor menor hoje porque as importações cresceram muito. Para o ministro, esse crescimento é uma consequência normal da retomada do desenvolvimento econômico do País. Segundo Tápias, há um movimento forte de importação de bens destinados ao aumento da produção interna de outros bens. Isso, na sua avaliação, resultará em um aumento da quantidade de bens exportáveis no futuro, tendo como consequência o aumento do saldo da balança comercial.
Para o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, os últimos indicadores mostram que o saldo comercial brasileiro poderá ser negativo em 2000. As importações estão com a corda toda e as exportações perderam o gás, disse Castro. Segundo o especialista, o resultado da balança comercial até agora é decepcionante e preocupante. Se mantivermos esses resultados, poderemos ter déficit comercial em 2000, avaliou.
O diretor da AEB ressaltou ainda que, do superávit de US$ 769 milhões registrado até o dia 17 de setembro, US$ 420 milhões são referentes à devolução de aviões feita pela Vasp, que afetou positivamente as contas das exportações, mas que na prática representa um saldo virtual e contábil. Se tirarmos a devolução dos aviões, teremos um superávit de apenas US$ 349 milhões, frisou.
O aquecimento do mercado interno está fazendo com que os produtos que estavam sendo antes destinados ao exterior sejam comercializados dentro do País, o que é outro fator que vem comprometendo o resultado da balança comercial, além o do crescimento das importações.
Infelizmente, as empresas brasileiras não têm uma política 100% voltada para o comércio exterior: somente quando existe excedente se exporta, comentou o diretor da AEB. Ele lembrou que a pauta de exportações brasileiras é concentrada em cerca de 800 empresas e que 60% delas são estrangeiras. A decisão de aumentar as exportações não está no Brasil, ressaltou.


