Balança mostra inversão de tendência
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O comportamento da balança comercial em agosto é um marco significativo para confirmação da tendência de aumento das exportações e menor crescimento no ritmo das importações. A avaliação foi feita ontem pelo secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes, quando anunciou o déficit de US$ 315 milhões na balança comercial do mês passado, o segundo menor deste ano, e divulgou números que confirmam um excepcional desempenho das exportações. As vendas ao exterior se mantêm acima dos US$ 5 bilhões e a média diária dos negócios atingiu a cifra inédita de US$ 241,6 milhões.
O resultado da balança apontou exportações de US$ 5,073 bilhões contra importações de US$ 5,388 bilhões. No período de janeiro a agosto, as exportações atingiram um movimento recorde de US$ 35,097 bilhões, um crescimento de 9,7% em relação a igual período do ano passado. As importações, por sua vez, atingiram US$ 40,926 bilhões, um aumento de 25,2% no mesmo período, mantendo a trajetória de queda que vem sendo observada desde o início deste ano. No primeiro quadrimestre, por exemplo, as importações cresciam ao ritmo de 30%, segundo os dados divulgados por Maurício Cortes.
O desempenho das exportações avaliado pelo critério das médias diárias, no período de janeiro a agosto comparativamente ao ano passado, vem apresentando uma variação significativa. Em agosto, o aumento das vendas chegou a 21,3%. Maurício Cortes chamou atenção para a mudança de perfil dos setores que mais vem contribuindo com o aumento das exportações, tanto em volume exportado quanto em receita. No primeiro semestre, a venda de produtos básicos representou 40% da receita das exportações. A partir de junho, no entanto, a retração nas vendas de produtos agrícolas cedeu espaço para uma expansão das exportações de manufaturados, como se previa.
A venda de manufaturados em agosto atingiu o nível recorde de US$ 2,793 bilhões, um aumento de 25% em relação ao mesmo mês do ano passado. Também aí se confirma a tendência de aumento das exportações do setor, que tem conseguido elevar as vendas, principalmente de automóveis, aeronaves, equipamentos mecânicos, eletroeletrônicos e químicos. O bom desempenho das exportações também pode ser medido pelo aumento de 117 para 158 do número de empresas que recorreram ao financiamento para equiparação com custos de taxas de juros do Programa de Estímulo às Exportações (PROEX). O governo liberou US$ 5,1 bilhões este ano contra os US$ 1,7 bilhão liberado entre janeiro e agosto do ano passado.
O déficit comercial de US$ 315 milhões, segundo Maurício Cortes, é um reflexo do crescimento das exportações ao longo do ano e da tendência de acomodação das importações, principalmente a partir do segundo semestre, sustentou. O resultado de agosto eleva para US$ 5,829 o déficit acumulado no ano e a perspectiva do ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, Francisco Dornelles, é de que o déficit poderá chegar a US$ 9 bilhões até dezembro.


