A balança comercial brasileira, dos primeiros oito meses deste ano, já acusa novos impactos da crise financeira internacional. Além da queda nas exportações para a Ásia, houve também uma redução nas vendas para a União Européia (UE), cujos 15 países membros representam o maior mercado do Brasil.
A queda de 27,6% das exportações para a Ásia já era esperada e, de certa forma foi neutralizada. Afetados pela crise, muitos países asiáticos perderam poder de compra, mas também capacidade para exportar: em relação aos primeiros oito meses de 1997, as importações brasileiras da região caíram 15,72%. O resultado foi a ampliação do déficit da balança comercial do Brasil com a Ásia de US$ 768 milhões para US$ 1,287 bilhão.
Mas o que preocupa é a queda de 0,06% das exportações para a UE, que absorve um terço das vendas brasileiras. De janeiro a agosto, o País exportou US$ 34,923 bilhões, dos quais US$ 10,104 bilhões para a União Européia. Nesse mesmo periodo, a UE exportou US$ 10,649 bilhões para o Brasil - o que representa um aumento de 0,75% em relação aos primeiros oito meses de 1997. O déficit da balança do Brasil com a UE passou de US$ 464 milhões para US$ 545 milhões.
‘‘A queda das exportações brasileiras para a UE está relacionada à queda dos preços das commodities, no mercado internacional, principalmente de soja’’, explicou o Secretário de Comércio Exterior, do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (Mict), Maurício Cortes. ‘‘E a UE absorve 52% das exportações brasileiras de produtos básicos’’, acrescentou.
Ontem, Cortes e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amauri Bier, analisaram a balança comercial, já com base nos dados corrigidos de agosto. As exportações do mês passado foram de US$ 3,985 bilhões (em vez dos US$ 3,986 bilhões inicialmente anunciados) e as importações de US$ 4,628 bilhões (em vez de US$ 4,652 bilhões). O resultado foi um déficit menor: US$ 643 milhões (no lugar de US$ 666 milhões). Isso faz com que o saldo negativo, acumulado de janeiro até a terceira semana de setembro, seja menor: US$ 3,285 bilhões (em vez de US$ 3,308 bilhões).
‘‘Mas agosto foi um mês peculiar, porque além da crise internacional, houve também uma greve de fiscais da Receita Federal, do dia 4 ao dia 28, que prejudicou principalmente o registro das exportações’’, explicou Cortes. Segundo ele, o verdadeiro desempenho do Brasil no exterior só será conhecido a partir de outubro: este mês, serão computadas muitas operações de agosto.
Apesar de agosto, a crise financeira está afetando tanto as exportações, quanto as importações. De janeiro a agosto deste ano, as vendas de produtos brasileiros caíram 0,51% em relação aos primeiros oito meses de 1997, passando de US$ 35,101 bilhões para US$ 34,923 bilhões. Mas as compras no exterior caíram mais: 4,73%. Foram reduzidas de US$ 39,810 para US$ 37,928 bilhões.
Segundo Bier, a redução nas importações deve-se à queda do preço do petróleo, à própria crise asiática (que reduziu a oferta de produtos asiáticos e a demanda interna), e à substituição de ítens fabricados no exterior por produtos nacionais, que adquiriram maior competitividade.Arquivo FolhaMercado paralisadoInstabilidade mundial está afetando exportações e importações: compras no exterior caíram 4,5%Agência Estado

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