Balança fecha janeiro com megadéficit
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Agência Folha De Brasília 
Uma companhia aérea brasileira ajudou, mais uma vez, a evitar um fiasco maior na balança comercial. Graças à devolução de uma avião, no valor de US$ 105 milhões, o País conseguiu um superávit de US$ 65 milhões na última semana de janeiro. Sem o avião, a balança teria um déficit nessa semana de US$ 45 milhões.
Mas a colaboração do setor não foi suficiente para evitar, no primeiro mês do ano, um déficit quatro vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em janeiro, o rombo da balança foi de US$ 479 milhões. Em janeiro de 2000, o déficit ficou em US$ 116 milhões.
Se fosse descontado o valor do avião devolvido, o rombo subiria para US$ 584 milhões. Ou seja, em janeiro, o País teria acumulado um déficit equivalente a quase 84% do saldo registrado em todo o ano passado. Em 2000, o déficit foi de US$ 697 milhões. Para este ano, o Banco Central estima um superávit de US$ 1 bilhão.
Não é a primeira vez que uma companhia aérea ajuda a balança comercial. No ano passado, apenas a Vasp, de Wagner Canhedo, reexportou US$ 370 milhões em aviões. Como ao entrarem no País os aviões foram contabilizados como importações, ao saírem, entram do lado das exportações.
Mesmo com a ajuda do setor aéreo, o déficit foi considerado grande pelo secretário-adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho. É um déficit considerável, afirmou Ramalho.
O secretário-adjunto, no entanto, preferiu ressaltar o bom desempenho das exportações, que foram as maiores já registradas num mês de janeiro. O país vendeu, no mês passado, US$ 4,54 bilhões para o exterior, 31,4% a mais que em janeiro do ano passado. Nesse valor está incluído o avião de US$ 105 milhões.
Foi a primeira vez que, num mês de janeiro, as exportações passaram de US$ 4 bilhões, disse Ramalho. O problema é que as importações também bateram recorde histórico. No mês passado, o País comprou US$ 5,02 bilhões, 40,6% a mais que no mesmo período de 2000. As importações de petróleo, equipamentos para indústria e carros foram as que mais cresceram em janeiro. O gasto com a importação de petróleo cresceu 107,7%. As compras de carros são as recordistas. O País importou 306,5% a mais em carros do que em janeiro do ano passado. Na categoria bens duráveis, que inclui carros, eletrodomésticos e objetos de adorno, o crescimento foi de 72%.


