Brasília - A balança comercial de 2003 superou as expectativas iniciais do governo e contabilizou um superávit de US$ 24,831 bilhões. Fruto de uma expansão substancial das exportações, que cresceram 21,1% e alcançaram a cifra recorde de US$ 73,084 bilhões, o resultado foi favorecido também pelo impacto da recessão econômica do País ao longo do ano sobre as importações.
Por força desse desempenho, o envolvimento do País com o comércio exterior avançou com mais modéstia em 2003. A corrente de comércio alcançou US$ 121,337 bilhões - cifra apenas 12,77% maior que a de 2002 e 6,63% superior à de 2001.
Em 2003, as importações somaram apenas US$ 48,253 bilhões, o que correspondeu a um aumento de 2,2% em relação ao ano anterior. Indicador da evolução frustrante do investimento produtivo no País, as compras externas de bens de capital registraram queda de 10,7% no ano. Os bens de consumo recuaram 6,2%. Melhor contribuição veio do grupo de matérias-primas e bens intermediários - itens usados sobretudo na fabricação de bens exportados. Essa importação aumentou 10,0%. As compras externas de combustíveis e lubrificantes cresceram apenas 4,7%.
Em ritmo mais acelerado, as exportações aumentaram 21,1%, em relação ao resultado do ano anterior. Em valores, essa variação equivale a US$ 12,722 bilhões - a maior expansão anual já registrada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Boa parte desse desempenho deveu-se aos embarques de produtos manufaturados, os de maior valor agregado da pauta exportadora, que totalizaram US$ 39,654 bilhões. O valor representou uma elevação de 20,2% em relação a 2002 e foi obtida principalmente pela expansão do volume embarcado, conforme ressaltou o secretário Ivan Ramalho, da Secex.
Nessa categoria, a maior contribuição veio do setor de material de transportes, que reúne os automóveis, as autopeças, os motores, os pneus, os veículos de carga e os aviões. Essas vendas externas somaram US$ 10,634 bilhões e aumentaram 18,6%.
O conjunto de produtos básicos, entretanto, continuou a dar sua pesada contribuição ao saldo comercial. Essas exportações cresceram 24,9% e totalizaram US$ 21,178 bilhões, graças à elevação das vendas de soja em grão (41,5%), de minério de ferro (13,3%), de farelo de soja (18,4%), e de petróleo em bruto (25,5%), entre outros itens.
Segundo Ramalho, o bom desempenho nos três grandes grupos de produtos deveu-se alguns fatores combinados. O primeiro foi a retomada das vendas para tradicionais consumidores dos bens brasileiros. Os Estados Unidos absorveram US$ 16,9 bilhões, com acréscimo de 8,8% em relação a 2002. A União Européia expandiu em 19,8% suas compras do Brasil, que somaram US$ 18,102 bilhões. Além disso, o País ganhou mercados não tradicionais. As vendas para a Ásia cresceram 32,8%, assim como as direcionadas para o Leste Europeu (29,4%), a África (21,1%) e o Oriente Médio (20,3%).

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