Balança do PR volta a ser positiva após 11 meses
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de julho de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Depois de 11 meses no vermelho, o saldo da balança comercial paranaense voltou a ficar positivo em maio, quando fechou em US$ 199,9 milhões, segundo números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Houve redução de 5,6% nas importações pelo Porto de Paranaguá em relação a abril e crescimento de 15,3% nas exportações, puxadas principalmente pela safra de grãos e a venda de carnes. Mesmo assim, especialistas afirmam que problemas logísticos prejudicaram os números do Estado, que embarcou menos carga do que deveria no período por deficiências logísticas.
A última vez que o mês fechou com superavit foi em junho de 2012, com R$ 9,7 milhões. O resultado não impede que o Paraná continue com a balança negativa em US$ 927,9 milhões no acumulado de janeiro a maio deste ano. Com o fechamento dos números de junho, a expectativa na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná é de que o deficit seja reduzido mais, devido à redução nas filas do porto, ao câmbio mais atrativo para exportadores e à alta nas cotações de grãos.
A assistente técnica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Gilda Bozza lembra que houve queda no volume de exportações de 6,8% por Paranaguá, ao passar de US$ 7,3 bilhões nos cinco primeiros meses de 2012 para US$ 6,8 bilhões neste ano. No caso da soja, principal produto vendido pelo porto, houve queda de 13% nas exportações. "Por questão de demora logística, tivemos até três navios que foram devolvidos."
Nem mesmo a alta de 152% na exportação do milho evitou as perdas. "O milho tirou proveito de uma janela no mercado americano, mas no segundo semestre vai ser ainda melhor", diz Gilda, sobre a maior parte do escoamento ficar para os próximos meses.
Professor de economia e técnico da Conab, Eugenio Stefanelo afirma que, além da logística, a alta do câmbio e a valorização dos grãos inflarão a balança comercial estadual em junho. O dólar terminou maio a R$ 2,13 e fechou o mês passado a R$ 2,21, conforme o Banco Central. "Vai melhorar o quadro. O único fato negativo foram os 15 dias de chuva no mês que limitaram os embarques."
Stefanelo prevê que o saldo da balança do agronegócio neste ano fique em torno de US$ 80 bilhões. Porém, diz que o resultado geral do País, que hoje também está no vermelho, deve ser de pouco mais de US$ 5 bilhões, principalmente pelo mau momento da indústria. "Quem vai salvar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) será o crescimento de 8% da agropecuária. Serviços deve crescer 2% e a indústria, 0,5% ou 1%", conta.
Importações
Também houve baixa de 2,7% nas importações, que foram de R$ 7,9 bilhões para R$ 7,7 bilhões em 2013, puxadas pela diminuição de 40% na compra de óleo bruto. Porém, o próprio MDIC lembra que a Petrobras faz o registro de compras, destinadas no Estado para a refinaria de Araucária, aos poucos. Há possibilidade de parte ser identificada em junho.
Por outro lado, a chegada de insumos agrícolas cresceu neste ano e o Paraná é a maior porta de entrada para os produtos, segundo Stefanelo. Os três principais itens tiveram alta de 73% a 77% nas importações.



