Balança do agronegócio soma US$ 79,4 mi
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Reportagem Local 
Brasília O saldo da balança comercial do agronegócio brasileiro cresceu 3% em 2012, para US$ 79,4 bilhões, apesar das incertezas externas, marcadas pelas injeções de liquidez para recuperar o crescimento da economia norte-americana e pela adoção de medidas de austeridade fiscal pelos países europeus, que reduziram a demanda de compradores tradicionais, como a União Europeia, por produtos agropecuários brasileiros. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), parte dos efeitos dessa contração foi compensada pela abertura e intensificação do comércio com mercados não tradicionais, como os países árabes e do continente africano.
O resultado da balança comercial, no ano passado, também foi influenciado pela demanda da China, principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. O país asiático absorveu 18,8% das exportações do setor no ano passado.
As exportações brasileiras também foram alvo de dificuldades internas durante 2012. A greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a operação-padrão da Receita Federal afetaram o movimento nos principais portos do País. A paralisação da Anvisa, que começou em meados de julho e teve fim no início de setembro, atrasou a emissão da autorização para que os navios atracassem nos portos, fator que prejudicou os embarques dos produtos agropecuários exportados.
Apesar dos cenários externos e internos desfavoráveis, as exportações brasileiras acumularam, entre janeiro e dezembro de 2012, o equivalente a US$ 95,8 bilhões, valor que representa um acréscimo de 1% em relação aos US$ 94,9 bilhões recebidos no mesmo período do ano de 2011.
Os gastos com importações totalizaram US$ 16,4 bilhões, o que representa queda de 6,2%, influenciada pela deflação generalizada dos preços médios de produtos que compõem a cesta de compras do Brasil no mercado externo.
O levantamento da CNA mostra que o complexo soja continuou sendo o principal produto agropecuário exportado pelo Brasil, com vendas de US$ 26,1 bilhões em 2012, crescimento de 8,2%. Destaque, também, para o milho, cujas vendas cresceram em função da quebra da safra norte-americana. No acumulado do ano, as vendas externas de milho chegaram a US$ 5,3 bilhões, valor que superou o faturamento registrado em 2011 em pouco mais de 101%.
O ano de 2012 foi de estagnação para o setor exportador de carnes. Entre janeiro e dezembro, o Brasil exportou US$ 15,7 bilhões, receita igual à recebida no ano anterior. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), os embargos relativos ao caso de "vaca louca" não tiveram forte impacto sobre o desempenho do comércio exterior, uma vez que os países que impuseram restrições respondem por apenas 5% das vendas.
Para 2013, as expectativas são de que, devido aos altos custos de produção e aos abatimentos de matrizes observados ao longo de 2012, a produção de carne bovina permaneça estagnada, a exemplo do que vem ocorrendo nos Estados Unidos e Europa, onde já se verifica a redução dos rebanhos.
Mercados
O fluxo de exportações do agronegócio com os países árabes cresceu 1.615%, entre 2000 e 2012, baseado principalmente na comercialização dos produtos do complexo carnes e setor sucroalcooleiro. No mesmo período, as transações comerciais com os países do continente africano aumentaram 1.311%.


