Balança deve fechar semestre com saldo abaixo de US$ 2,5 bi
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sexta-feira, 24 de maio de 2002
Agência Estado 
Rio O superávit da balança comercial previsto pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) para o primeiro semestre, de US$ 2,5 bilhões, não deverá ser alcançado, mantido o ritmo atual das trocas internacionais do País. Ainda assim, a entidade vai aguardar a evolução dos sinais econômicos, internos e externos, antes de rever a projeção para o ano, de US$ 4 bilhões.
Outra entidades, como a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) já estão, entretanto, elevando suas projeções de saldo anual, mas por motivo pouco animador: a economia deverá crescer menos do que o esperado e, com isso, as importações serão menores.
A avaliação da AEB é de curto prazo. O saldo até a terceira semana de maio está em US$ 1,7 bilhão. Além disso, a greve dos auditores fiscais está se refletindo no comércio exterior, avalia o diretor da entidade, José Augusto de Castro. Pelos números atuais, está longe de se alcançar o superávit que havíamos previsto para este semestre, disse o executivo.
Para Augusto de Castro, os indicadores globais internos e externos não dão segurança para uma revisão, neste momento, das projeções anuais. A estimativa da entidade para o ano leva em conta um saldo de US$ 1,5 bilhão para o segundo semestre.
Nossa projeção considerava um avanço da recuperação mundial. Mas a economia americana oscila entre altos e baixos, pondera o diretor da AEB.
Já a Sobeet antecipou que reduzirá sua projeção de crescimento econômico para o ano, dos 2,2% anteriormente projetados para 1,7%, principalmente por conta da taxa de juros e do recuo da demanda. Com isso, explica o presidente da entidade, Antônio Corrêa de Lacerda, o saldo antes previsto em US$ 3,6 bilhões no ano deverá ser um pouco ampliado.
O Ipea, que também revisou sua projeção de crescimento do PIB este ano, de 2,5% para 2%, acaba de ampliar sua expectativa de saldo comercial para 2002, dos US$ 4 bilhões projetados em fevereiro, para US$ 5,3 bilhões.
Segundo o coordenador de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Ipea, Paulo Levy, a mudança decorreu, basicamente, da nova projeção de crescimento para o ano.
Na previsão anterior, as importações cairíam apenas 0,4% este ano e fechariam em US$ 55,4 bilhões. A mais nova previsão traz a estimativa de importações 6,1% inferiores ao ano passado, o equivalente a US$ 52,2 bilhões. Já as exportações, que no cenário anterior cresceriam 2% este ano, agora sinalizam queda de 1,2%, fechando o ano em US$ 57,5 bilhões.


