Balança derruba Bolsa em dia nervoso
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Agência Folha São Paulo 
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reviveu ontem os momentos de tensão de meados do mês passado e voltou a fechar com forte queda de 4,76%. Uma combinação de informações negativas no Brasil e nos Estados Unidos provocou a baixa. Para alguns analistas, o movimento ontem foi normal. Teria havido apenas uma saudável realização de lucros em cima de notícias negativas. Até porque os fundos acabaram fechando o mês com boa valorização (a Bolsa foi a melhor aplicação em julho).
A Bolsa começou a cair com rumores, mais tarde confirmados, de que o déficit da balança de julho ficaria próximo a US$ 800 milhões. Nas contas de um banco de investimento, tirando-se o componente sazonal do mês de julho, ou seja, o grande volume de exportações, o déficit saltaria para US$ 1,7 bilhão.
Por esses cálculos, a projeção de déficit para o ano seria da ordem de US$ 14 bilhões, acima dos US$ 12 bilhões que têm servido como número de trabalho para muitos analistas.
A Bolsa também reagiu a comentários de que estaria para ser divulgada nova lista de instituições financeiras liquidadas. Não há confirmação ou desmentido do Banco Central, o que leva a especulações envolvendo desde pequenas corretoras até instituições de maior porte.
Dos Estados Unidos, vieram duas informações que contribuíram para a queda da Bolsa. O banco de investimento norte-americano Salomon Brothers rebaixou a recomendação de compra de ações brasileiras, enquanto elevou a de empresas do México. Além disso, as taxas de juros norte-americanas dispararam e a Bolsa de Nova York desabou, após a divulgação de dados que indicam que a economia dos Estados Unidos continua aquecida.
O movimento de ontem serviu para mostrar que os traumas da forte queda registrada em meados de julho ainda não passaram. O relatório publicado ontem pelo Salomon Brothers aconselha os investidores a reduzirem o peso do Brasil de 48,4% para 46,9% em suas carteiras de papéis latino-americanos. Ao mesmo tempo, sugere que a participação das ações de empresas mexicanas cresça de 25% para 26,4%.
Um dos principais fatores apontados pelo relatório é que, por causa da forte alta da Bolsa brasileira neste ano, as ações brasileiras já não estão tão baratas como as mexicanas. A situação das contas externas, segundo o relatório, está tornando os mercados brasileiros mais arriscados. Na avaliação do banco, a ameaça de uma maxidesvalorização, no entanto, está afastada.


