Balança completa um ano com déficits
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Agência Estado de Brasília 
A balança comercial brasileira completou em maio um ano de déficits consecutivos. Embora o saldo negativo tenha sido o menor desse período (de US$ 271 milhões, resultado de importações de US$ 4,929 bilhões e de exportações 4,658 bilhões), o País já acumula nos primeiros cinco meses de 1997 um rombo na balança comercial de US$ 4,260 bilhões, equivalentes a 76,90% do déficit de todo o ano passado, de US$ 5,539 bilhões.
Os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT) mostram também que, de junho do ano passado a maio deste ano, o déficit da balança comercial totaliza US$ 9,827 bilhões. Nesse mesmo período a corrente de comércio (soma das exportações com as importações) chegou a US$ 107,071 bilhões, com vendas ao exterior de US$ 48,628 bilhões e compras lá fora de US$ 58,443 bilhões.
O desempenho do comércio exterior do País no mês passado foi o melhor resultado desde maio de 1996, quando foi registrado pela última vez um superávit da balança comercial mensal, de US$ 268 milhões. Além disso, o desempenho de maio quebrou uma sequência de déficits mensais próximos a US$ 1 bilhão, ocorridos nos quatro primeiros meses do ano.
Uma das causas da melhora da balança comercial foi a queda
nas importações de petróleo e derivados, que ficaram em US$ 460 milhões em maio, reduzindo-se em relação aos US$ 581 milhões de abril deste ano, segundo informações da assessoria de imprensa da Petrobras.
O bom resultado já era esperado porque maio é uma mês de fortes exportações agrícolas, em razão da época de embarques da safra. As exportações foram recorde, com uma média por dia útil de US$ 232,9 milhões. O recorde anterior era o de abril passado, com embarques de US$ 220,4 milhões diários.
A queda das importações em relação a abril também foi
expressiva, com a média diária recuando de US$ 265,7 milhões para US$ 246,5 milhões. A retração nas compras de combustíveis explicam apenas 32% desta queda. O restante, segundo técnicos da área econômica, pode estar refletindo um aumento nos estoques dos importadores, o que estaria ligado a uma redução no ritmo da atividade econômica em relação ao mês anterior. A comparação com abril, no entanto, deve ser analisada com a ressalva de que aquele foi um mês de importações excepcionalmente altas, com compras de bens de consumo semelhantes às do Natal do ano passado.
Assim, mesmo registrando queda na comparação com o mês
anterior, as importações de maio ainda foram muito altas. Nos próximos meses, as exportações adicionais decorrentes da safra devem acabar e a tendência é que os déficits mensais voltem a ser expressivos, segundo analistas do setor privado.


