Balança comercial tem segundo melhor resultado para janeiro
Exportações superaram as importações em US$ 4,342 bilhões, alta de 85,8% em relação ao superávit registrado no mesmo mês de 2025
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026
Exportações superaram as importações em US$ 4,342 bilhões, alta de 85,8% em relação ao superávit registrado no mesmo mês de 2025
Agência Brasil 

A balança comercial brasileira registrou o segundo maior superávit para meses de janeiro desde o início da série histórica, impulsionada principalmente pela queda das importações. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 4,342 bilhões, alta de 85,8% em relação ao superávit de US$ 2,337 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
O resultado só fica atrás de janeiro de 2024, quando o saldo positivo atingiu US$ 6,196 bilhões. Em janeiro deste ano, as exportações totalizaram US$ 25,153 bilhões, queda de 1% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já as importações somaram US$ 20,810 bilhões, recuo de 9,8% no mesmo período. Mesmo com a retração, o valor exportado foi o terceiro melhor para meses de janeiro desde 1989, ficando atrás apenas de 2024 e 2025. As importações, por sua vez, registraram o segundo melhor janeiro da série, perdendo apenas para o ano passado.
DESEMPENHO POR SETORES
Na análise por setores da economia, a agropecuária apresentou crescimento de 2,1% no valor exportado, apesar da queda de 3,4% no volume, compensada por alta de 5,3% no preço médio. A indústria extrativa recuou 3,4%, mesmo com aumento de 6,2% no volume, influenciada pela queda de 9,1% nos preços. Já a indústria de transformação teve leve retração de 0,5%, com recuo tanto no volume quanto no preço médio.
PRODUTOS QUE PUXARAM A QUEDA
Entre os produtos que mais contribuíram para a queda das exportações em janeiro, destacam-se o café não torrado, o algodão bruto e o trigo e centeio não moídos na agropecuária. Na indústria extrativa, houve redução nas vendas de óleos brutos de petróleo e minério de ferro. Na indústria de transformação, os principais recuos ocorreram em óxido de alumínio, açúcares e melaços e tabaco. Em contrapartida, no agronegócio, as exportações de soja cresceram expressivos 91,7% em relação a janeiro do ano passado, impulsionadas pela antecipação de embarques, enquanto as vendas de milho não moído avançaram 18,8%
IMPORTAÇÕES E PETRÓLEO
No caso do petróleo bruto, a redução nas exportações representou uma perda de US$ 364,6 milhões em relação a janeiro de 2025. Segundo o Mdic, esse tipo de produto costuma apresentar grande variação mensal por causa da manutenção programada de plataformas. Já a queda das importações está associada principalmente à redução nas compras de petróleo e à desaceleração da economia, que diminui o ritmo dos investimentos e da atividade produtiva.
PERSPECTIVAS PARA 2026
Nas importações, houve forte retração em produtos como cacau, trigo e centeio não moídos na agropecuária. Na indústria extrativa, caíram as compras de óleos brutos de petróleo e gás natural. Na indústria de transformação, recuaram as importações de motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis de petróleo e partes e acessórios de veículos.
Para este ano, o Mdic projeta um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. As exportações devem fechar o ano entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, enquanto as importações devem variar de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. As projeções oficiais são atualizadas trimestralmente, e novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.
Em 2025, a balança comercial fechou com superávit de US$ 68,3 bilhões. O recorde histórico foi registrado em 2023, quando o resultado positivo chegou a US$ 98,9 bilhões. As estimativas do Mdic são mais otimistas do que as do mercado financeiro. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, a balança comercial deve encerrar 2026 com superávit de US$ 67,65 bilhões.


