Com mais US$ 308 milhões em março, a balança comercial do Paraná completou quase US$ 1 bilhão de saldo negativo no primeiro trimestre. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Paraná exportou US$ 1,386 bilhão e importou US$ 1,694 bilhão no mês passado. No acumulado do trimestre, são US$ 3,439 bilhões de exportações e US$ 4,425 bilhões de importações. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o saldo negativo paranaense cresceu 22%.
O Paraná vem importando mais que exportando desde 2011, quando o saldo negativo anual somou US$ 1,3 bilhão. No ano passado, foram US$ 1,6 bilhão. No período de 2001 a 2010, todos os saldos foram positivos. Em 2005, foi registrado o melhor resultado. O total de exportações foi de US$ 10,033 bilhões e das importações, de US$ 4,527 bilhões - diferença de US$ 5,5 bilhões.
"Nosso saldo comercial continua se deteriorando e isso aponta para sérios problemas. Estamos exportando muitas commodities e importando produtos industrializados", afirma o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Ele ressalta que não são apenas os produtos industrializados a desequilibrar a balança do Paraná. "Os números mostram que estamos cada vez mais trazendo de foras os insumos para a indústria", declara.
De acordo com ele, devido à taxa cambial, fica mais barato para as indústrias importarem seus insumos. "O certo seria mexer nesta taxa de câmbio (desvalorizar o real), mas aí aumenta a pressão inflacionária. É um bom quebra-cabeça a ser resolvido pelo governo", observa.
Mas não é só o Paraná que enfrenta saldo negativo neste primeiro trimestre. O Rio Grande do Sul exportou US$ 3,5 bilhões e importou US$ 3,6 bilhões de janeiro a março (- US$ 113 mil). São Paulo importou US$ 7 bilhões a mais. Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás apresentaram saldos positivos.
O economista e professor universitário Renato Pianowski também ressalta o peso na balança comercial da importação de insumos pelo Paraná. "São coisas que a indústria não tem como abrir mão, que poderiam ser comprados aqui, mas custam mais barato lá fora", afirma. Para ele, a carga tributária "está matando a indústria nacional". "Além disso, temos pedágio caro, transporte caro, estrada deficiente", relata.
Pianowski critica o governo federal que, segundo ele, estaria apresentando medidas pontuais e localizadas de desoneração. "Por que apenas alguns setores, como a linha branca e a indústria automobilística é que recebem incentivo?", questiona. Para o economista, enquanto não houver "uma reforma tributária de fato", a indústria brasileira continuará patinando e a balança comercial, desequilibrada.

Imagem ilustrativa da imagem Balança comercial tem saldo negativo de US$ 1 bi
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