A balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 83 milhões na segunda semana de julho, reduzindo o déficit acumulado no ano para apenas US$ 18 milhões. É o melhor resultado do comércio exterior brasileiro em 2001, que já chegou a registrar até março um saldo negativo de US$ 678 milhões. Em julho, a balança acumula um superávit de US$ 52 milhões.
Os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que a melhora da balança em julho vem sendo obtida com a redução tanto das exportações como das importações.
As exportações acumuladas no mês até a segunda semana registram, pela média diária, queda de 12,4% em relação a julho do ano passado. As importações, no mesmo período, apresentam retração de 12,5%. Em relação a junho deste ano, o comércio também vem sofrendo retração: queda de 17,2% para as exportações e de 14,6% para as importações.
‘‘Esse déficit de US$ 18 milhões no ano, que representa equilíbrio, é alvissareiro, depois de um longo período de déficits, mas o que eu lamento é que o volume de comércio está menor’’, avaliou o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
Na avaliação do especialista, uma série de fatores vem contribuindo para a redução do déficit comercial. Por um lado, o racionamento de energia no Brasil está fazendo com que os importadores estejam mais cautelosos, segurando as compras até uma melhor definição sobre como ficará o comportamento do consumo interno.
A redução das exportações, segundo o diretor da AEB, está refletindo, principalmente, a retração da economia dos Estados Unidos e a crise na Argentina. ‘‘As empresas brasileiras começam a ter medo de não receber o pagamento dos argentinos. É o risco comercial argentino’’, afirmou.
Outro fator a pesar contra as exportações é a perda do poder aquisitivo dos argentinos, que estão comprando menos devido à crise econômica.
O racionamento de energia também deve impactar negativamente as vendas externas, com a redução da produção doméstica de setores eletrointensivos, como alumínio e aço, importantes produtos da pauta de exportações brasileiras. O diretor da AEB ressaltou, no entanto, que ainda é cedo para que essa redução se concretize efetivamente.
De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, as exportações na segunda semana de julho foram de US$ 1,044 bilhão e as importações, US$ 961 milhões. O Ministério atribuiu a queda de 12,4% das exportações até a segunda semana à redução de 23,6% das vendas de semimanufaturados – principalmente ferro/aço, alumínio e celulose – e de 17,8% de manufaturados. Aviões, automóveis, aparelhos transmissores e receptores, óleos combustíveis, veículos, laminados planos, pneumáticos, papel e cartão foram os produtos manufaturados que tiveram maior queda. Já as exportações de produtos básicos mantiveram nas duas semanas do mês a trajetória de crescimento, com aumento de 8,7%.
Do lado das importações, a redução dos gastos com as compras externas de combustíveis e lubrificantes está contando a favor. Nas duas semanas do mês, essa queda é de 44,2%, pela média diária, em relação a julho de 2000 e de 54% sobre junho deste ano. Também caíram as importações de plásticos, cereais, farmacêuticos, plásticos, siderúrgicos, químicos, automóveis, autopeças, equipamentos mecânicos e eletroeletrônicos.

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