A balança comercial brasileira em janeiro registrou um déficit de US$ 717 milhões, surpreendendo mais uma vez o governo federal. Embora as exportações tenham subido para US$ 3,914 bilhões, um crescimento de 6,2% em relação aos embarques ocorridos no primeiro mês de 1997, este crescimento foi superado pelo aumento das importações. Elas atingiram US$ 4,631 bilhões, uma expansão de 19,4% sobre o mesmo mês do ano passado. A média das exportações em cada um dos 21 dias úteis do mês foi de US$ 186,4 milhões, e a das importações atingiu US$ 220,5 milhões.
O maior crescimento das importações aconteceu na última semana do mês, com a média diária tendo atingido US$ 231,2 milhões. Como na mesma semana as exportações atingiram uma média de apenas US$ 182,0 milhões, registrou-se também o maior déficit da semana, no valor de US$ 246,0 milhões.
O crescimento das importações surpreendeu principalmente por que os técnicos do governo esperavam uma contenção das compras de insumos e bens de consumo em decorrência do desaquecimento da economia previsto para este início do ano. Apesar do número de janeiro, o governo continua com a estimativa de redução do déficit ao longo do ano, que poderá ficar abaixo de US$ 5 bilhões, segundo as previsões mais otimistas.
No ano passado o déficit ficou em US$ 8,372 bilhões. As exportações tiveram um crescimento de 10,9%, quase três vezes o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Mas a exemplo do que ocorreu em janeiro, a expansão das importações foi ainda mais intensa, atingindo 15,1%.
Para garantir a melhoria do saldo comercial, o governo conta com o efeito dos incentivos às exportações, principalmente os financiamentos que foram ampliados no fim do ano passado. Resta no entanto a incógnita de qual será o impacto da crise asiática sobre o comércio exterior brasileiro. Ao mesmo tempo em que as desvalorizações das moedas daqueles países deverão baratear as importações brasileiras provenientes daquela região, há também o risco de que este barateamento leve os asiáticos a conquistarem alguns mercados que hoje são de produtores brasileiros.
Inequívoca O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, explicou ontem que considera ‘‘inequívoca’’ a tendência de melhora do resultado da balança comercial nos próximos meses. Ele disse que o déficit da balança comercial em janeiro não pode ser tomado como referência, pois ‘‘é preciso se levar em conta o restante dos meses’’.

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