São Paulo - A balança comercial neste ano deve ultrapassar o resultado de 2004. Economistas de instituições financeiras revisam projeções e apontam um saldo entre US$ 34 bilhões e US$ 36 bilhões. O Banco Central (BC) projeta saldo de US$ 27,5 bilhões, abaixo dos US$ 33,7 bilhões registrados no ano passado.
O saldo recorde de US$ 8,319 bilhões da balança comercial no primeiro trimestre deste ano, apesar do real apreciado, estimulou analistas a nova revisão de expectativas. Em março, o saldo alcançado foi de US$ 3,3 bilhões. O resultado é importante, especialmente em razão da iminente redução de liquidez para mercados emergentes.
Uma balança comercial robusta deve ajudar a reduzir o impacto de um eventual choque externo na economia, na hipótese do pior cenário, de a redução no volume no crédito internacional se materializar num ritmo mais acelerado do que se espera, lembra Maurício Oreng, do Unibanco.
A forte atividade econômica internacional e a alta das commodities ajudaram a turbinar o crescimento de 25,7% das exportações brasileiras no trimestre, em relação a 2004. As importações aumentaram 21,2% no período. Oreng reviu para US$ 35,9 bilhões sua projeção para a balança comercial em 2005.
Este mês poderá proporcionar novas surpresas. ''Se a projeção de abril, que já indica US$ 3,5 bilhões de superávit, se concretizar, o saldo deste ano poderá deixar para trás os US$ 37 bilhões'', diz Oreng.
Além do impacto do resultado acima do esperado no primeiro trimestre, a mudança de expectativa se deve também à revisão de preços de exportações. Um crescimento de cerca de 4% na economia mundial deve implicar uma alta de cerca de 3,5% no preço das commodities, o que representa crescimento esperado de em média 5% dos preços da pauta de exportações, em comparação a 2004, segundo Oreng.
''Estou esperando os dados da quantidade exportada do primeiro trimestre da Funcex para fazer uma revisão mais precisa, provavelmente para cima'', diz Octavio de Barros, economista-chefe.
A economia Zenia Latif revisa sua projeção para a balança para US$ 34 bilhões, embora diga que o resultado poderá não ficar tão mais alto se o real se apreciar. ''Seria saudável ter uma balança mais modesta, com importações crescendo, aumentando bens de capital, reforçando a poupança. Estamos exportando poupança. O câmbio teria de ser mais baixo.''
Para Latif, a apreciação do real se dá contra o dólar, mas não contra uma cesta de moedas.''Todo mundo se acostumou a ver o dólar alto. Deveria estar mais baixo. Quem exporta para os EUA se preocupa, mas quem vende para a Europa tem outra história para contar, e o Brasil exporta mais para a América Latina.''
As exportações não estariam mais tão sensíveis ao câmbio porque o país teria ganho competitividade, diz Oreng. ''O que pesou na exportação foram os manufaturados, menos sensíveis ao câmbio que os agrícolas. Ao comprar arroz, o consumidor se guia mais pelo preço do que na compra de um aparelho de som, cuja qualidade pesa mais na escolha.''
Para Tomás Málaga, economista do Banco Itaú, a projeção de US$ 30 bilhões deve ser mantida. ''É possível que o saldo surpreenda, porém, mais de US$ 30 bilhões, neste momento, parece pouco provável.''

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