Oswaldo PetrinBalança comercial
-A queda nas exportações (do café e do complexo soja) no quadrimestre, anunciada ontem pela Camex, independente do seu impacto na balança comercial, tem um caráter, digamos, educativo no sentido de fazer o governo reduzir o ímpeto com que recorre às importações (de algodão e dos produtos de abastecimento, milho e agora a dobradinha arroz e feijão). No início do Plano Real, o generoso superávit foi o grande trunfo para importações. Naquele momento de decolagem do plano de estabilidade até que era plausível manter os preços baixos, a todo custo.
-Hoje a situação exige prudência. A âncora verde está levando golpes de todos os lados. Da política do governo, sempre, e, agora, de variáveis externas como essas previsões de safras mundiais abundantes da soja, por exemplo. A diferença é que neste caso também o governo - e não apenas o setor primário - se sente prejudicado.
-Os números divulgados ontem pela Carteira de Comércio Exterior são os seguintes: os embarques de café em grão, que ano passado no mesmo período de janeiro a abril atingiram US$ 905 milhões, foram reduzidos este ano para US$ 680 milhões (-24,9%). Já no complexo soja, apenas o óleo registrou em abril um desempenho melhor que no mesmo mês do ano passado. No quadrimestre, as vendas de soja em grão caíram 12,6%, passando de US$ 628 milhões em 1997 para US$ 549 milhões este ano, as de farelo de soja tiveram redução de 37,7%, recuando de US$ 660 milhões nos primeiros quatro meses do ano passado para US$ 411 milhões este ano e as exportações de óleo caíram de US$ 137 milhões para US$ 120 milhões, um recuo de 12,4%. A balança agrícola representou no ano passado 35,5% do total das exportações brasileiras.
-O coordenador geral de política agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Evandro Fazendeiro, explica à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado, que os preços muito aquecidos no ano passado provocaram um movimento de antecipação das vendas que não se repete este ano. Somente os preços do óleo no mercado internacional estão mais altos que há 12 meses, com 18,6% de aumento. A soja em grão está 25% mais barata e o farelo 44% abaixo do valor registrado no ano passado.
-Fontes do governo acham que os embarques mais lentos, no caso da soja, podem ser atribuídos a uma estratégia de esperar uma reação dos preços no mercado internacional. Essa estratégia só é possível porque os produtores estão capitalizados com os preços remuneradores obtidos no ano passado. As duas variáveis não são totalmente corretas: Em primeiro lugar os produtores sabem que as ofertas aumentaram em função de grandes safras nos EUA, Brasil e Argentina. Em segundo lugar, não é correto dizer que eles estão totalmente capitalizados. Pior ainda se esta ‘‘capitalização’’ - na realidade não passa de efêmero giro de passagem de safra - for creditada à renegociação de dívida. Até porque a securitização, para muitos, é um benefício discutível que sugere desconfiança.Aftosa
Os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul são considerados ‘‘livres da aftosa com vacinação’’ pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) que ontem entregou certificado neste sentido ao Ministro Francisco Turra.
Livres
O ministro participa da reunião anual da OIE que se realiza na França. RS e SC estão há três anos sem focos da doença. O pedido de reconhecimento foi encaminhado pelo Brasil em maio do ano passado.
E o Paraná?
Na próxima reunião anual, do OIE, Turra vai apresentar pedido de reconhecimento como ‘zona livre’ para mais 6 Estados: Paraná, SP, Minas, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que somam 90 milhões de cabeças.
Vaca louca
A Comissão da União Européia vai liberar exportações de carne bovina britânica para outros países membros a partir de 1º de junho. Cada lote deverá ter certificado de estar livre da doença da Vaca Louca.
Vaca louca 2
A liberação será restrita a apenas carne de animais abatidos em um determinado frigorífico da Irlanda do Norte, que também vai embalar a carne. As restrições estão no fim.

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