Balança comercial fecha negativa em US$ 3,9 bi
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terça-feira, 06 de janeiro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A balança comercial brasileira fechou 2014 com saldo negativo pela primeira vez desde 2000, com US$ 3,9 bilhões a mais em importações do que em exportações. É também o pior resultado comercial desde 1998, quando foi registrado deficit de US$ 6,6 bilhões, conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Godinho, afirmou ontem que os principais motivos para o deficit na balança comercial foi o maior reflexo da crise internacional nos principais parceiros comerciais do Brasil, como China e Argentina, e a queda do preço de commodities no mercado externo. Analistas completam que o excesso de gastos por parte do governo contribuiu para elevar juros, manter o câmbio em desequilíbrio e afastar investimentos no setor produtivo.
Godinho disse que a queda no preço das commodities foi superior à esperada, principalmente para o minério de ferro, e que dos 15 principais destinos dos produtos brasileiros houve redução de demanda em dez. A China, cujo ritmo de crescimento desacelerou, e a Argentina, que vive crise interna e reduziu importações do Brasil, foram os que mais puxaram a queda.
Sem divulgar previsões, ele considerou que o resultado deve voltar a ficar positivo em 2015, ao citar a previsão do Boletim Focus, do Banco Central, de que a taxa média do dólar chegará a R$ 2,69 no ano. "A estabilidade de câmbio será fundamental, mas esperamos que, com esse patamar, ocorra efeito positivo para exportações."
O economista Francisco Castro, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), disse que parte das causas do deficit está no esgotamento do comércio entre Brasil e países do Mercosul e que é preciso diversificar parceiros. "O resultado do Paraná não vai fugir muito disso, porque o setor automotivo nos puxou muito para baixo e também as commodities, que tiveram queda nas cotações", afirmou, sobre números do Estado que devem ser divulgados ainda neste mês.
Ainda, Castro lembrou que o governo focou esforços em elevar o consumo interno e pouco incentivou o setor produtivo. "É preciso reduzir o Custo Brasil para elevar a competitividade da indústria, diminuindo a carga tributária e a burocracia para exportar, além de melhorar a infraestrutura."
Técnico e ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Paraná, Eugenio Stefanelo afirmou que o dólar chegou a quase R$ 4 no início do governo Lula, o que diminuiu o peso da falta de competitividade do setor produtivo no País por muitos anos, em relação ao exterior. "A queda do câmbio e o nosso custo elevado culminou com esse reflexo negativo na balança comercial."
Stefanelo citou que o resultado de 2013 somente foi positivo devido a uma manobra da Petrobras, que exportou uma plataforma para a própria estatal, e que a recuperação do preço do dólar em 2014 não foi o bastante para fazer as exportações reagirem. "No curto prazo, o mercado tem se encarregado de elevar o câmbio. No médio prazo, o governo terá de ajustar a política fiscal para ter superavit primário de até 2% do PIB, para que a taxa de juros não precise ser tão elevada e o câmbio encontre um equilíbrio", sugeriu.
Ambos concordaram que será mais fácil para o governo desburocratizar exportações do que começar a resolver o gargalo logístico, já que obras de infraestrutura demoram a ficar prontas.
Balança de pagamentos
O saldo negativo na balança comercial causa desequilíbrio na balança de pagamentos, que é a reserva financeira de um País frente o mercado internacional. Stefanelo lembra que 2013 teve resultado negativo em US$ 5,9 bilhões, o primeiro deficit em 12 anos. (Com Agência Estado)


