Balança comercial fecha com 1º superávit desde 95
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Brasília A balança comercial encerrou 2001 com superávit de US$ 2,643 bilhões. Trata-se do primeiro saldo positivo registrado pelo País desde 1995 e o quinto melhor resultado dos últimos dez anos, conforme dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O saldo, entretanto, foi obtido graças à estabilidade das importações, que reverteram sua tendência inicial de crescimento e fecharam o ano com queda de 0,5% em relação a 2000. Afetadas principalmente pelo desaquecimento da economia mundial e pela crise argentina, as exportações frustraram as expectativas oficiais e de mercado e avançaram apenas 5,7%.
Em 2001, os embarques de produtos brasileiros ao exterior somaram US$ 58,223 bilhões, cifra US$ 3,137 bilhões maior que a verificada em 2000. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 55,580 bilhões US$ 254 milhões a menos. Para 2002, a previsão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é de saldo positivo de US$ 5 bilhões, com crescimento de cerca de 5% nas exportações e de leve queda de importações. Esse cenário consolidaria a tendência verificada no comércio deste ano.
O resultado de 2001 foi excepcionalmente bom, resumiu a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola. Fechamos com um ganho de mais de US$ 3 bilhões nas exportações em um período no qual a conjuntura internacional se mostrou difícil, com elevação do protecionismo e retração da demanda mundial. Mesmo assim, não lançamos mão de controles de importação, completou.
O detalhamento da balança deverá ser divulgado apenas na próxima segunda-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral. Com base nos dados disponíveis, a conclusão da Secex é que o Brasil conseguiu finalmente dar a virada no comércio de bens com o exterior e deverá manter a tendência superavitária nos próximos anos. Em 2000, houve déficit de US$ 748 milhões o menor saldo negativo registrado desde 1995. O último superávit comercial do Brasil havia sido em 1994, o ano do lançamento do Plano Real, quando atingiu US$ 10,466 bilhões.
De acordo com os dados disponíveis, as exportações indicaram um recuo na tendência de crescimento esperada desde o final de 2000, quando apresentou aumento de 14,74%. No início do ano passado, a expectativa era que os embarques aumentassem cerca de 20%, por força principalmente das vendas de manufaturas. A partir do segundo trimestre, esse cenário começou a desandar. Mesmo assim, o aumento de 5,7% indicou que as vendas do Brasil foram mais satisfatórias que a evolução do comércio mundial.
Segundo Lytha, se de um lado foram prejudicadas pela recessão mundial, as exportações brasileiras foram favorecidas pelos embarques de produtos agrícolas que aumentaram em cerca de US$ 4 bilhões no ano passado. A desvalorização do real ao longo do ano também contribuiu para baratear o produto brasileiro no exterior, assim como a busca por novos mercados, como os países da África, do Oriente Médio e do Leste Europeu.
Na outra mão do comércio, a previsão inicial de incremento das importações frustrou-se com o recuo da atividade econômica do País. As compras de insumos, que pesavam na balança comercial no início do ano passado, fecharam 2001 com queda, segundo Lytha. Conforme informou, o dado positivo foi o aumento de cerca de 8% a 9% nas compras de bens de capital percentual menor que o dos anos anteriores, mas que indica a continuidade dos investimentos produtivos no País.


