Brasília – A balança comercial encerrou 2001 com superávit de US$ 2,643 bilhões. Trata-se do primeiro saldo positivo registrado pelo País desde 1995 e o quinto melhor resultado dos últimos dez anos, conforme dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O saldo, entretanto, foi obtido graças à estabilidade das importações, que reverteram sua tendência inicial de crescimento e fecharam o ano com queda de 0,5% em relação a 2000. Afetadas principalmente pelo desaquecimento da economia mundial e pela crise argentina, as exportações frustraram as expectativas oficiais e de mercado e avançaram apenas 5,7%.
Em 2001, os embarques de produtos brasileiros ao exterior somaram US$ 58,223 bilhões, cifra US$ 3,137 bilhões maior que a verificada em 2000. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 55,580 bilhões – US$ 254 milhões a menos. Para 2002, a previsão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é de saldo positivo de US$ 5 bilhões, com crescimento de cerca de 5% nas exportações e de leve queda de importações. Esse cenário consolidaria a tendência verificada no comércio deste ano.
‘‘O resultado de 2001 foi excepcionalmente bom’’, resumiu a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola. ‘‘Fechamos com um ganho de mais de US$ 3 bilhões nas exportações em um período no qual a conjuntura internacional se mostrou difícil, com elevação do protecionismo e retração da demanda mundial. Mesmo assim, não lançamos mão de controles de importação’’, completou.
O detalhamento da balança deverá ser divulgado apenas na próxima segunda-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral. Com base nos dados disponíveis, a conclusão da Secex é que o Brasil conseguiu finalmente dar a virada no comércio de bens com o exterior e deverá manter a tendência superavitária nos próximos anos. Em 2000, houve déficit de US$ 748 milhões – o menor saldo negativo registrado desde 1995. O último superávit comercial do Brasil havia sido em 1994, o ano do lançamento do Plano Real, quando atingiu US$ 10,466 bilhões.
De acordo com os dados disponíveis, as exportações indicaram um recuo na tendência de crescimento esperada desde o final de 2000, quando apresentou aumento de 14,74%. No início do ano passado, a expectativa era que os embarques aumentassem cerca de 20%, por força principalmente das vendas de manufaturas. A partir do segundo trimestre, esse cenário começou a desandar. Mesmo assim, o aumento de 5,7% indicou que as vendas do Brasil foram mais satisfatórias que a evolução do comércio mundial.
Segundo Lytha, se de um lado foram prejudicadas pela recessão mundial, as exportações brasileiras foram favorecidas pelos embarques de produtos agrícolas – que aumentaram em cerca de US$ 4 bilhões no ano passado. A desvalorização do real ao longo do ano também contribuiu para baratear o produto brasileiro no exterior, assim como a busca por novos mercados, como os países da África, do Oriente Médio e do Leste Europeu.
Na outra mão do comércio, a previsão inicial de incremento das importações frustrou-se com o recuo da atividade econômica do País. As compras de insumos, que pesavam na balança comercial no início do ano passado, fecharam 2001 com queda, segundo Lytha. Conforme informou, o dado positivo foi o aumento de cerca de 8% a 9% nas compras de bens de capital – percentual menor que o dos anos anteriores, mas que indica a continuidade dos investimentos produtivos no País.

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