A balança comercial paranaense manteve o ciclo de exportações em alta e de queda nas importações em julho, quando fechou pelo terceiro mês consecutivo com saldo positivo, de US$ 179 milhões. Foram US$ 1,744 bilhão em exportações e US$ 1,574 bilhão em importações, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No acumulado do ano, porém, o estado continua com resultado negativo em US$ 667 milhões, com US$ 10,296 bilhões vendidos para o exterior e US$ 10,963 bilhões em compras.
No comparativo com o mesmo mês do ano passado, houve expansão de 16,8% no valor total das exportações e de 2,6% nas importações. O resultado paranaense, puxado pelo bom momento vivido pelo setor de agronegócio, contrasta com o nacional. Em julho, o País ficou com saldo negativo em US$ 1,897 bilhão, com US$ 20,8 bilhões em exportações e US$ 22,7 bilhões em importações. No paralelo com o mesmo mês de 2012, houve um salto de 25,1% no valor de importados ante queda de 0,9% no de exportados no Brasil.
Ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugenio Stefanelo diz que o Estado tende a ter um bom ano nas exportações pelo fortalecimento do agronegócio. Normalmente, os embarques de grãos tendem a diminuir no segundo semestre. "Ainda temos muito produto represado para exportar, como milho, e as vendas de carne aumentam", afirma. Ele conta que falta até mesmo exportar uns 10% da produção de soja, devido à supersafra.
Stefanelo, que também é professor de economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da FAE, diz que o resultado brasileiro no mês surpreendeu e que pode ser explicado pela percepção de valorização do dólar, que começou em maio. "Muita gente começa a importar preventivamente porque passam a perceber que o câmbio entrou em tendência de se elevar."
Para o economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Renato Pianowski, o câmbio em baixa fez com que as importações aumentassem no País e tomassem o lugar dos produtos nacionais. Ele acredita que não fosse a ajuda do agronegócio, poderia ser ainda pior. "Não é o cenário ideal, mas a falta de competitividade da nossa indústria ao menos vai esbarrar na alta do dólar."
Stefanelo diz que é hora de o governo federal "deixar o dólar em paz". Ele critica as intervenções feitas pelo Banco Central, como leilões da moeda, para segurar o preço da moeda e dar mais poder de compra ao consumidor. "Há seis anos temos um deficit nas transações correntes, o que mostra que o câmbio está baixo demais e que desestimula a produção local", afirma.

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