Mesmo apresentando resultado recorde no volume de exportações em janeiro de 2003 (US$ 507 milhões) e aumentado sua participação na pauta de exportações brasileiras de 8,9% para 9,8% entre 1996 e 2003, a balança comercial do Paraná encontra-se em situação instável. Essa é a opinião do doutor em engenharia de produção e professor da FAE Businnes School de Curitiba, Christian Luiz da Silva, que destaca a dependência do Estado com relação a poucos setores e indústrias para a criação de um superávit comercial como a principal causa dessa instabilidade.
Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o crescimento das exportações paranaenses nos últimos oito anos foi de 68%, frente aos 53% de acréscimo nas vendas ao exterior realizadas pela União. O destaque no período ficou por conta dos segmentos com maior valor agregado, como o complexo automotivo, que aumentou sua participação nas exportações do Estado de 6% em 1996 para 19% em 2003.
Para o professor, o resultado positivo do complexo automotivo, no entanto, poderia ser comprometido com o simples fechamento de uma fábrica, o que justifica sua opinião sobre a instabilidade da balança comercial. ''A situação já foi vivida pelo Estado quando a Philip Morris transferiu sua fábrica para o Rio Grande do Sul, em 1999. A partir daí, as exportações de cigarro pelo Paraná caíram a zero. Isso poderia ocorrer também com o setor de automóveis'', argumenta.
A instabilidade citada por Silva refere-se ao pequeno leque de produtos disponíveis para exportação no Estado. Além de sugerir políticas de incentivo ao mercado paranaense para aliviar a dependência tecnológica das indústrias, Silva aponta para a diversificação de produtos exportados como uma provável solução para a insegurança da balança comercial paranaense. ''Os incentivos públicos e privados ao setor de tecnologia vão ajudar o Estado a desenvolver novas indústrias e manter aqui as já existentes. Por outro lado, a diversificação da pauta de exportações pode ajudar a criar uma situação de menor dependência de produtos como a soja para a manutenção de um bom saldo comercial'', explica.
O complexo soja, por sinal, responsável por 35% das exportações, apresentou queda de 12 pontos percentuais na participação da pauta do Estado. Silva acredita que esse resultado explica-se pelo deslocamento da produção de estados como São Paulo e Paraná para a região Centro-Oeste do País. Já o coordenador geral do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Oswaldo Pimentel, reforça a tese de que a produção de soja no Estado cresceu, só não acompanhando as fortes altas experimentadas pelos outros segmentos. ''Outros ramos, em especial o de milho, com salto de 1% para 4% entre 1996 e 2003, passaram por uma excelente abertura de mercado e cresceram na pauta de exportações'', explica.

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