Balança comercial de agosto é positiva
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segunda-feira, 03 de setembro de 2012
Fábio Galiotto <br> <br> Reportagem Local 
A balança comercial do Brasil fechou o mês de agosto com superavit de US$ 3,227 bilhões, relativos à comparação de exportações com importações, segundo números divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento. No entanto, o valor é 17,1% menor do que o registrado no mesmo mês de 2011, de US$ 3,893 bilhões, motivado pela crise mundial e pela moeda brasileira sobrevalorizada.
O cenário é considerado esperado, já que a taxa de câmbio deixou os produtos nacionais menos competitivos no exterior e o governo tentou passar o foco do consumo para o mercado interno. O ministério não divulgou números por estados sobre agosto, o que deve ocorrer na próxima semana. Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o Paraná está com US$ 715 milhões negativos no acumulado até julho e a tendência é que se mantenha em agosto com maior número de importações.
O diretor de pesquisa do Ipardes, Julio Suzuki, aponta que, apesar da balança negativa, o Estado tem motivo para comemorar. Ele lembra que houve quebra de safra do milho e da soja nos Estados Unidos, o que elevou o preço dos commodities paranaenses exportados e ajudou a reduzir a diferença. ''Mas quase tudo o que se tinha para exportar, o Paraná já exportou. Se esse cenário se mantiver em 2013, será benéfico'', conta.
Coordenador do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina, o professor Azenil Staviski diz que as exportações que mais cresceram em valores foram as de milho e de derivados da soja, como farelo (48%) e óleo bruto (38%), no acumulado de janeiro a agosto em relação ao mesmo período de 2011. Por isso, diz que há boa expectativa para os números de agosto do Paraná.
Suzuki afirma que a divisão por estados não é totalmente adequada, porque a importação é considerada apenas pelo local por onde o produto entra no País. ''Se uma empresa traz produtos pelo porto de Paranaguá, mas distribui o material por outros estados, a transação é considerada como totalmente paranaense''. diz.
Custo de produção
Staviski afirma que as medidas adotadas pelo governo federal para reaquecer a economia do País, como a redução da taxa Selic e a prorrogação do corte de impostos sobre produtos, demoram ao menos três meses para refletir na balança comercial. Por isso, ele afirma que é preciso reduzir os custos de produção, para que as indústrias brasileiras fiquem mais competitivas.
Staviski conta que, tradicionalmente, o Brasil exporta mais no segundo semestre, mas não está confiante neste ano. ''Acredito que não conseguiremos exportar tanto quanto em 2011'', prevê Staviski.
O País exportou US$ 22,382 bilhões no mês passado, número 14,4% inferior a agosto do ano passado, mas 1,9% acima do total a julho de 2012. As importações foram US$ 19,155 bilhões, uma retração de 14% ante agosto de 2011 e aumento de 1,1% sobre julho deste ano.
No acumulado do ano até agosto, o saldo brasileiro ficou positivo em US$ 13,172 bilhões. Foram US$ 160,599 bilhões de exportações e US$ 147,427 bilhões de importações.



