Brasília - As exportações nos dez primeiros meses do ano já superaram todo o montante de vendas realizado em 2004. De janeiro a outubro, os embarques para o exterior somam US$ 96,623 bilhões. Em todo o ano passado, eles atingiram US$ 96,475 bilhões. Os dados, divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram que a balança comercial bateu recordes em todos os indicadores: exportação, importação, saldo e corrente de comércio.
Em outubro, o superávit comercial foi de US$ 3,68 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 9,90 bilhões e importações de US$ 6,21 bilhões. Todas as cifras são recordes para meses de outubro. Com isso, as vendas externas totalizaram no ano US$ 96,62 bilhões e as importações, US$ 60,27 bilhões.
O superávit no ano atingiu US$ 36,35 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo comercial já atingiu quase US$ 42 bilhões, o valor estimado para este ano pelo ministro Luiz Fernando Furlan. As exportações somam no período US$ 113,9 bilhões e as importações, US$ 72 bilhões.
Apesar dos recordes, o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, reconheceu que houve uma desaceleração nas vendas e nas compras externas na última quinzena de outubro. Dessa forma, o saldo comercial no mês, embora tenha sido o melhor outubro já registrado, ficou US$ 1,324 bilhão menor que o de setembro.
Segundo ele, o ministério irá acompanhar a evolução dos dois indicadores nas primeiras semanas de novembro para avaliar se esse movimento pode ser uma tendência. Ele acredita que a perda de fôlego no comércio pode ser explicada pelo desempenho da balança no Dia do Servidor Público, comemorado sexta-feira. Embora tenha sido computado como dia útil, o movimento registrado foi muito baixo.
Segundo o secretário, as exportações naquele dia foram de US$ 135 milhões enquanto a média diária estava em torno de US$ 400 milhões. As importações registraram US$ 155 milhões, para uma média diária que girava em torno de US$ 250 milhões. ''Foi um mês atípico. Um dia pode afetar toda a média diária do mês'', explicou. No ano passado, o feriado não refletiu nos resultados da balança de outubro porque as comemorações foram transferidas para o dia 1.º de novembro.
Meziat ressaltou que, mesmo com os reflexos da febre aftosa nas vendas de carne bovina in natura (leia reportagem na página 4), o ministério mantém a meta de US$ 117 bilhões para as exportações este ano. ''As exportações vão continuar crescendo até o final do ano e devemos atingir a nossa meta'', afirmou. O secretário evitou, no entanto, comentar o efeito do comportamento da taxa de câmbio na balança comercial.
Em outubro, as importações de bens de consumo subiram 38,2% em relação ao mesmo período de 2004. Pela primeira vez no ano, o aumento das vendas destes itens superou o crescimento de bens de capital, que foi de 26,5%.
O secretário afirmou que esta ''é uma tendência de final de ano'' por causa das festas de Natal. ''Câmbio é um assunto badalado, mas nós não temos uma avaliação dos impactos nas importações'', disse. Segundo ele, o aumento nas compras de bens de consumo em outubro foi puxado pelas compras de automóveis, principalmente da Argentina.

mockup