Brasília Apesar do resultado recorde para o mês de julho, com superávit de US$ 2,057 bilhões, a balança comercial registrou, pelo segundo mês, uma queda no saldo mensal em relação ao mês anterior. O superávit acumulado no ano, de US$ 12,454 bilhões, também é recorde para os sete primeiros meses do ano.
Embora tenha ocorrido em julho uma queda de 12% em relação ao superávit de junho (US$ 2,357 bilhões), os dados do mês passado foram influenciados pela greve dos servidores públicos, sobre a qual o governo não tem como calcular os efeitos sobre o desempenho da balança comercial. Com isso, não é possível falar que há uma tendência de redução do superávit para os próximos meses.
Em 14 dos 23 dias úteis de julho houve operação-padrão, tornando mais lento o processo de liberação de mercadorias para exportação ou importação nas alfândegas. Tal situação, segundo o Ministério do Desenvolvimento, afetou o resultado da balança comercial. ''É muito difícil dimensionar em quanto isso pode afetar o resultado. Afeta um pouco porque indiscutivelmente a logística de embarque é prejudicada'', disse o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho. O efeito da greve é mais sentido no resultado das exportações, cujo volume é maior do que o de importações.
Para o Ministério do Desenvolvimento, o resultado do mês passado não é, necessariamente, reflexo da desaceleração na economia. Em julho, o Brasil exportou US$ 6,104 bilhões e importou US$ 4,047 bilhões. Apesar de o volume exportado ter sido maior em julho do que o registrado no mês anterior, houve um maior crescimento das importações. Com isso, o saldo (exportações menos importações) acabou ficando menor.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, as exportações foram principalmente de produtos manufaturados (US$ 3,371 bilhões) e semi-manufaturados (US$ 981 milhões). Entre os produtos manufaturados, os maiores aumentos em relação a julho de 2002 foram gasolina (98%), óleo combustível (37%), veículos de carga (34%) e autopeças (31%).
Em relação a julho do ano passado, houve queda de 19,4% no volume de importações. A queda foi liderada pelos bens de capital (39,6%) e combustíveis (24,6%). Também houve redução na importação de bens de consumo (18,3%) e matérias primas (6,3%). Ramalho classificou como ''contundente'' a queda de 39,6% na importação de bens de capital (máquinas e equipamentos) em julho deste ano em relação ao mesmo de 2002, mas disse que esses produtos estão relacionados a investimentos de longo prazo, e não à situação atual da economia. Segundo ele, a compra de matérias primas, que tiveram redução menor, é que estão mais diretamente ligadas à produção industrial.
Em julho, a Argentina voltou a ocupar a posição de segundo mercado comprador de produtos brasileiros, atrás somente dos Estados Unidos. No acumulado do ano, a Argentina passou da quarta para a terceira posição, atrás da China.
''Permanece a performance de aumento de exportações para a Argentina'', disse o secretário. Ele informou que, até 2001, a Argentina era habitualmente o segundo maior comprador do Brasil. As vendas do Brasil para o país vizinho somaram US$ 387 milhões em julho, um crescimento de 70,5%. Os principais produtos vendidos foram automóveis, autopeças, máquinas, equipamentos, plásticos, aparelhos eletroeletrônicos e siderúrgicos.

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