O setor externo tem contribuído negativamente para o crescimento da atividade econômica do Brasil. Nos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) poderia ter chegado a 3,6% no ano até o terceiro trimestre, caso a balança comercial tivesse um comportamento neutro.
No entanto, com importações crescendo quase sete vezes mais do que as exportações, a taxa ficou reduzida em 2,4% no acumulado até setembro. "As exportações e importações estão contribuindo negativamente em 1,2 ponto porcentual. E, somando consumo das famílias, consumo do governo e Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), temos crescimento de 3,6 pontos porcentuais", explicou a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Palis. O peso negativo é explicado pela alta de 1,4% nos embarques para o exterior neste ano, enquanto as importações aumentaram 9,6% no acumulado dos três primeiros trimestres.
A valorização do dólar não foi suficiente para melhorar as exportações, observou o sócio-diretor da Nobel Planejamento, Luiz Gonzaga Belluzo. "A despeito das desvalorizações do real e de medidas adotadas pelo governo, a competitividade da indústria, pelo menos por enquanto, ainda não se recompôs para fazer frente a um quadro internacional de forte concorrência por mercados", analisou em relatório.

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