Brasília - Mais uma vez impulsionadas pela balança comercial, as contas externas voltaram a apresentar resultados recordes. Nos últimos 12 meses, a conta de transações correntes - que inclui as operações de compra e venda de bens e serviços com outros países - acumulou saldo positivo de US$ 12,713 bilhões, o equivalente a 2,05% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se do maior superávit registrado desde 1947, quando teve início a série histórica calculada pelo Banco Central (BC).
Além da balança comercial (diferença entre exportações e importações), fazem parte das transações correntes a balança de serviços (pagamento de juros, remessa de lucros e gastos com viagens internacionais, entre outros itens) e as transferências unilaterais (dinheiro enviado para o Brasil por residentes no exterior, e vice-versa)
Trata-se de um dos principais indicadores de vulnerabilidade externa, pois, de certa forma, o comportamento das transações correntes refletem a capacidade que um país tem em obter, por conta própria, recursos externos -exportando mercadorias, serviços ou recebendo dinheiro de residentes no exterior. Quando essa conta fica negativa, é preciso atrair capital estrangeiro por meio de empréstimos ou de investimentos, ou seja, o país passa a depender de decisões tomadas por bancos e empresas internacionais.
Em anos anteriores, o Brasil chegou a registrar déficit em transações correntes de mais de 5% do PIB. De 2003 para cá, impulsionado pela forte desvalorização do real, os resultados têm sido positivos.
Entre janeiro e março deste ano, o país registra superávit em transações correntes de US$ 2,693 bilhões, com crescimento de 66% em relação a igual período de 2004.
Fatores positivos - O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que houve uma ''contribuição significativa da balança comercial'' para esse resultado, mas cita também outros fatores.
O envio de lucros e dividendos para o exterior, por exemplo, caiu praticamente pela metade no mês passado. Em fevereiro, essas remessas haviam chegado a US$ 1,348 bilhão - maior número registrado desde setembro de 1998 -, mas passaram para US$ 661 milhões em março.
Segundo Lopes, muitas empresas anteciparam para fevereiro o envio de lucros para suas matrizes, o que explica o resultado recorde observado naquele mês. Em março, diz, ''voltou-se à normalidade''.
A conta de turismo internacional também tem ajudado no equilíbrio das contas externas. Entre janeiro e março, turistas estrangeiros deixaram US$ 1,008 bilhão no Brasil durante suas viagens. No mesmo período, os brasileiros que visitaram o exterior gastaram US$ 867 milhões - ou seja, houve saldo positivo de US$ 141 milhões.

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