A balança comercial agrícola apresentou saldo positivo de US$ 12,583 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura. A cifra corresponde a um aumento de 25,18% em relação ao superávit registrado em igual período do ano passado.

Nos primeiros oito meses deste ano, a diferença entre todas as exportações e as importações realizadas pelo País apresentou um saldo positivo de apenas US$ 625 milhões.

O superávit dos primeiros oito meses do ano foi obtido graças a expansão de 14,78% dos embarques de produtos do setor, que somam US$ 16,032 bilhões nos oito primeiros meses deste ano. Também colaborou com o resultado a queda de 13,51% nas importações agrícolas, que totalizaram US$ 3,449 bilhões.


Segundo o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, o aumento do superávit agrícola se deve à expansão dos embarques de produtos como as carnes bovina, suína e de aves, o complexo soja e o açúcar. De acordo com os dados, a exportação de carnes e miudezas aumentou 54,28% e alcançou US$ 1,632 bilhão.

Os embarques de cereais, principalmente de milho, cresceram 2.276,1% e alcançaram US$ 280 milhões. As vendas de sementes e frutos oleaginosos, grupo no qual está inserida a soja, somaram US$ 2,234 bilhões, o que representa aumento de 20,09%.

Também colaborou com esse acréscimo a ''virada'' de alguns produtos, que eram importados até o ano 2000 e que passaram a ser exportados neste ano. Entre esses casos estão o algodão, os lácteos e o milho.

Pratini mencionou que as importações de algodão caíram 66,10% no período de janeiro a agosto, comparado com igual período de 2000. Mas as exportações desse produto cresceram 59,0% e somaram US$ 245 milhões. ''Está ocorrendo uma virada em segmentos do agronegócio brasileiro e isso é um claro sinal da competitividade do produto brasileiro no exterior'', afirmou.

Segundo o ministro, o setor de agronegócios apresenta um conjunto de produtos ''dinâmicos'', com maior potencial de conquista de mercados no exterior e de exploração de nichos. Entre esses itens estão as carnes orgânicas, de rebanhos alimentados apenas com o pasto natural e que não são tratados com produtos farmacológicos. São os casos do vitelo pantaneiro, criado no Mato Grosso do Sul, da ''carne verde'' de Uberlândia (MG) e da carne orgânica de Nova Andradina (MS).

As frutas orgânicas, cultivadas sem o uso de agrotóxicos, também está entre esses produtos dinâmicos. Esse método é usado nos cultivos de manga no Vale do Rio São Francisco, de melão, no Rio Grande do Norte, e de mamão, no Espírito Santo.

mockup