Balança agrícola fecha 98 com saldo
A balança comercial agrícola brasileira deverá registrar um superávit de US$ 10,6 bilhões em 1998, de acordo com estimativas do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa. Apesar de o saldo ser inferior aos US$ 11,5 bilhões registrados em 1997, mais uma vez o bom desempenho das exportações de produtos agropecuários vai contribuir para a redução do déficit global da balança comercial brasileira.
Com os dados fechados de janeiro a novembro, o secretário estima que se os valores do comércio exterior agrícola em dezembro repetirem os de 1997, as exportações atingirão US$ 17 bilhões e as importações chegarão a US$ 6,4 bilhões. De janeiro a novembro as exportações somaram US$ 15,9, com uma diminuição de receita de US$ 1,3 bilhão em relação ao mesmo período de 1997, enquanto as importações registraram US$ 6 bilhões, valor 8% inferior, o que representou uma redução de dispêndios de US$ 540 milhões nos 11 primeiros meses do ano.
Desvalorização A redução do superávit da balança comercial agrícola foi consequência da queda dos preços internacionais das principais commodities, já que o volume exportado foi superior ao de 1997, segundo o secretário Benedito Rosa. De janeiro a novembro, o valor exportado de soja em grãos teve uma redução de 7% em relação a 1997, enquanto o de café em grãos foi 17% menor e o do farelo de soja caiu 35%, resultando em US$ 1,48 bilhão a menos. O volume exportado cresceu 17% nas vendas de soja em grãos, equivalentes a 1,3 milhões de toneladas e 10% de café em grão, ou 80 mil toneladas.
A receita com a exportação de carne de aves caiu 16%, ou US$ 140 milhões. As exportações agrícolas brasileiras foram mais afetadas na Ásia e na Rússia, onde de janeiro a setembro foi registrada uma queda de 26% em relação ao ano passado, explicou o secretário.
Carnes e suco Ao contrário dos outros produtos, o valor das exportações de suco de laranja de janeiro a novembro de 1998 aumentou em 23%, ou mais de US$ 200 milhões, graças à recuperação nos preços, já que o volume exportado cresceu pouco, ao redor de 50 mil toneladas. Os preços do óleo de soja também reagiram, e somados ao aumento no volume exportado registraram um crescimento de receita de quase US$ 200 milhões.
As vendas externas de açúcar bruto e refinado também tiveram queda de preço em torno de 15%, mas graças a um aumento de dois milhões de toneladas no volume exportado o valor também subiu cerca de US$ 200 milhões.
As carnes bovinas industrializadas e in natura aumentaram sua participação no total exportado em US$ 132 milhões, em consequência de um grande aumento no volume e no valor. Já as exportações de fumo em folhas diminuíram em US$ 142 milhões, parcialmente compensadas por um aumento de US$ 61 milhões nas vendas externas de cigarros e fumo beneficiado.
Preço do trigo A redução de dispêndios com as importações foi devido à queda de mais de 30% nos preços do trigo superior, o que fez com que o valor das compras externas caísse US$ 80 milhões apesar do aumento do volume importado em 1,5 milhão de toneladas, e na diminuição das compras de algodão.
Apesar de ainda ser o terceiro item na pauta de importação de produtos agrícolas em 1998, o algodão contribuiu para a redução do valor das compras externas em quase US$ 300 milhões em razão do crescimento da produção nacional.
Também foi registrada uma queda significativa nas importações de soja em grão, de 60% em volume, ou US$ 175 milhões, graças à safra recorde colhida em 1998. As compras de arroz aumentaram em US$ 275 milhões, levando o produto do 6º para o 2º lugar na pauta de importações agrícolas. Também houve crescimento das compras de milho, de 240% em volume ou US$ 100 milhões, em razão do grande aumento na área plantada de soja que deslocou a produção do cereal.ArquivoValor monetárioVolume exportado de soja em grãos aumentou 17%, mas a conversão em dólares diminuiu 7%Mariângela Heredia
Agência Estado





