Brasília - A balança comercial registrou superávit de US$ 3,480 bilhões em julho, resultado de exportações de US$ 8,992 bilhões e de US$ 5,512 bilhões de importações. A cifra elevou para US$ 18,529 bilhões o resultado positivo acumulado no ano e para US$ 30,873 bilhões o saldo nos últimos 12 meses terminados em julho.
Embora significativa, a expansão do comércio em julho foi relativizada pelo secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, que também informou sua previsão de recuo no ritmo das exportações até dezembro. A rigor, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) constatou que os embarques e os desembarques, no mês passado, bateram o recorde para meses de julho e alcançaram o segundo valor histórico. Mas também estranhou as elevadas variações porcentuais nas duas mãos do comércio no mês, em relação a julho de 2003. As exportações haviam aumentado 47,29%, e as importações cresceram 36,13%, o que levou Ramalho a uma correta avaliação.
''As variações das exportações e das importações do mês não são sustentáveis porque em julho de 2003 o comércio havia sido prejudicado pela greve nos portos. A base de comparação, portanto, é atípica e muito baixa'', explicou Ramalho. ''Nos próximos meses deste segundo semestre, as expansões dos embarques serão menores que as de julho, e a variação das importações deverá superá-las.''
No mês, a Secex identificou recorde histórico nas exportações de manufaturados (US$ 4,748 bilhões) e de semimanufaturados (US$ 1,348 bilhões), que foram engrossadas pelas vendas de aviões, de automóveis, de açúcar e óleo de soja em bruto, entre outros. Os embarques de produtos básicos (US$ 2,777 bilhões) foram beneficiados pelo desempenho dos exportadores de soja em grãos, minério de ferro, farelo de soja etc.
As importações, por sua vez, inflaram em julho com o aumento dos preços internacionais de petróleo. O item combustíveis e lubrificantes totalizou US$ 949 milhões, cifra 121,5% maior que a de igual mês de 2003, na comparação entre médias diárias. As compras de matérias-primas e insumos somaram US$ 2,911 bilhões, as de bens de capital, US$ 1,033 bilhão, e as de bens de consumo, US$ 619 milhões - dados avaliados pela Secex como indicadores da retomada de investimentos e do consumo interno no País.
Metas - A meta de superávit comercial de US$ 28 bilhões em 2004, apresentada no início de julho pelo MDIC, foi ontem confirmada por Ramalho. Nas contas do ministério, a cifra será obtida a partir de US$ 88 bilhões em exportações - US$ 15 bilhões mais que em 2003 - e de US$ 60 bilhões em importações.
Segundo o secretário, a redução no ritmo das exportações no segundo semestre não deverá comprometer essas previsões. Em princípio, para cumprir com a meta das exportações, a média mensal de embarques de agosto a dezembro deverá se manter em US$ 7,1 bilhões.

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