Balança acumula déficit de US$ 332 mi em agosto
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Liliana Lavoratti Agência Estado 
A balança comercial acumulou déficit de US$ 332 milhões nas duas primeiras semanas de agosto, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT). O saldo negativo resultou de US$ 1,805 bilhão em exportações e de US$ 2,138 bilhões em importações realizadas entre 1 e 16 deste mês. Durante todo o mês passado, a balança comercial teve um déficit de US$ 380 milhões.
A exemplo de julho, a queda nos preços internacionais e nas exportações de soja teve um peso importante na performance negativa da balança.
Nos cinco dias úteis da semana compreendida entre 10 e 16 de agosto, as exportações somaram US$ 688 milhões e as importações atingiram US$ 1,101 bilhão. Com isso, o saldo negativo foi de US$ 413 milhões, contra US$ 81 milhões de superávit registrados na primeira semana deste mês, que também totalizou cinco dias úteis.
O coordenador nacional do movimento de paralisação dos auditores fiscais da Receita Federal, Reginaldo Bacci, disse ontem que a greve está atrapalhando as exportações em decorrência da decisão dos fiscais de suspender os despachos aduaneiros nas alfândegas. Segundo ele, esse prejuízo vai aumentar porque os fiscais vão parar três dias seguidos -entre zero hora desta quarta-feira e meia-noite de sexta-feira.
O saldo da balança comercial saltou de US$ 81 milhões positivos, na primeira semana, para US$ 413 milhões negativos na segunda semana, justamente quando intensificamos a paralisação, enfatizou Bacci. Em relação a julho, a maior queda foi nas exportações: enquanto na segunda semana daquele mês o País exportou US$ 206 milhões, no mesmo período de agosto essa média caiu para US$ 137,6 milhões. Já nas importações, a média por dia útil saltou de US$ 202,4 milhões para US$ 220,2 milhões.
Até agora, os fiscais fizeram duas paralisações de um dia e uma de dois dias. Nesta quinta-feira, o comando colocará em votação em assembléia geral a proposta de greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira.
Os fiscais da Receita Federal querem reajuste de 54,09% sobre seus salários, incluindo a Remuneração Adicional Variável (RAV), pois alegam que janeiro de 1995 não foram beneficiados com os reajustes diferenciados concedidos para diversas categorias de servidores públicos. Eles também reivindicam um plano de cargos para a carreira.
A partir da zero hora de hoje, os fiscais paralisaram as atividades no Porto de Santos para intensificar a pressão. Segundo Bacci, além de muitos contêineres e navios parados em Santos, a greve provocou a paralisação de cerca de 4 mil caminhões em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, e de 1,5 mil outros veículos de carga em Uruguaiana, na fronteira com a Argentina.
O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, encaminharam na semana passada ao Palácio do Planalto um projeto de lei concedendo reajustes escalonados para os fiscais.


