Baixos preços do petróleo podem gerar fim da Opep
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de março de 1998
France Presse 
A queda brutal dos preços do petróleo por desrespeito às cotas de produção da Venezuela e de outros países ameaça a própria existência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à qual poderá suceder um reduzido cartel de países do Golfo, concordaram ontem vários especialistas da região.Há dois meses, a outrora onipotente Opep, formada por onze países, assiste inerte à queda das cotações. Segundo especialistas, o centro do problema é, mais uma vez, a doença endêmica do cartel: a superprodução, acima de suas cotas, de alguns de seus membros. Os últimos desdobramentos nos levam a perguntar se não são o começo do fim da Opep, comentou um executivo do petróleo, ligado aos governos dos emirados do Golfo.
A Opep foi fundada por iniciativa da Venezuela e temo que acabe por causa do mesmo país. Na semana passada, o ministro saudita do Petróleo, Ali ben Ibrahim Al Nuaimi, havia instado implicitamente a Venezuela a respeitar as cotas. Mas, Caracas respondeu que em nenhum caso poderia se ater a sua cota de 2,58 milhões de barris diários (mbd), que está revendo amplamente.
A superprodução da Venezuela se soma às da Nigéria, Catar e outros países da Opep. Acumuladas, as violações da cota chegaram a uma produção Opep de 28 mbd, quando seu teto oficial é de 27,5 mbd. Combinada com a crise financeira da Ásia e um inverno particularmente clemente no hemisfério norte, a superprodução desembocou em uma queda das cotações de até 14 dólares por barril, uma das taxas mais baixas desde 1988, quando caiu a 10 dólares/barril.
A baixa de cerca de 6 dólares por barril nos últimos quatro meses fez a Opep perder mais de 20 milhões de dólares. Se os países da Organização não reduzirem sua produção, os preços voltarão a cair nas próximas semanas, já que a demanda do inverno (boreal) vai começar a cair e as companhias terão que vender uma parte de suas reservas, estimou um especialista petroleiro.
A Opep, criada em 1960, dominou o mercado petroleiro antes de começar a perder influência em meados da década de 80. A emergência de novos produtores e o aumento da produção de outros países deixaram sua parte de mercado em menos de 40%. Os especialistas estimam que a substituição do cartel pela união dos gigantes do petróleo - Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos - poderia afetar as economias destes países, que teriam que assumir sozinhos todas as reduções de produção. Estes cinco países controlam quase 60% das reservas mundiais de petróleo e vendem um quinto da produção total.


