Baixo consumo reduz preço da carne no PR
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quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Sem dinheiro no bolso, consumidores compraram menos carne bovina nos últimos meses. A conjuntura refletiu na redução dos preços cobrados pelo varejo. Pesquisa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) indica que o preço do quilo da alcatra caiu 11%, em média no Paraná, de março a agosto deste ano.
Na semana passada, o produto custava R$ 8,95, ante o valor de R$ 9,97 praticado em março. A queda também foi verificada em outros cortes. O coxão mole, por exemplo, desvalorizou 7% no período.
Fabiano Ribeiro Tito Rosa, analista de mercado da Scot Consultoria em Bebedouro (SP), informou que o consumo per capita, no Brasil, caiu de 35,8 quilos, em 2002, para 34,5 quilos consumidos por habitante em 2003. Ele não acredita que tenha havido recuperação de consumo no primeiro semestre deste ano.
''Diante da retração, as redes varejistas podem ter diminuído as margens para estimular o consumidor a comprar'', disse, acrescentando que as empresas conseguem adotar essa prática porque trabalham com mix variado de mercadorias. ''É possível compensar com os ganhos em outros produtos'', explicou.
O economista Gustavo Fanaya, do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), concorda com essa possibilidade. ''A carne é usada como chamariz de clientes'', comentou. No atacado, os preços praticados atualmente são os mesmos do começo de 2004 e, por isso, não justificam a queda no varejo. 'Houve oscilações no período, mas o valor se repete'', disse.
A arroba do boi gordo também se mantém estável, de acordo com Tito Rosa. Ontem, a mercadoria estava cotada a R$ 61,00 no Paraná, o que indica queda de R$ 1,00 com relação aos valores praticados no início da semana. Para o analista, a pouca oferta de boi no mercado não abre espaço para novas quedas.
Apesar de perceberem a redução nos preços, consumidores ouvidos pela Folha garantem que os valores praticados ainda dificultam o consumo. O aposentado Pedro Rorato, 75 anos, come carne nas refeições três vezes por semana. ''Com os preços de hoje, é difícil comprar'', disse.
A empregada doméstica Rosana Gandolf, 26, só consome carne com frequência porque almoça na casa onde trabalha. ''Se tivesse que comprar para todos os dias, o dinheiro não ia dar'', diz ela, que faz pesquisa de preços para diminuir a conta.


