Baixo consumo ameaça mercado da maçã
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Vânia Casado 
A retração do consumo está impedindo a reação no preço da maçã, que seria comum nessa época do ano, período de entressafra. O preço da fruta está 32% inferior ao praticado no ano passado, apesar de a safra desse ano ter sido 10% menor. A caixa do tipo graúda é comercializada por R$ 15,00, enquanto no ano passado, nessa mesma época, o preço era R$ 22,00. E a produção nacional, que em 1997 rendeu 606 mil toneladas, caiu para 550 mil t.
Para o presidente da Associação Paranaense dos Produtores de Maçã (Frutipar), Célio Cunha, a queda no consumo está desestimulando o produtor, que está abandonando os pomares. Quem não abandonou, está tentando vender a propriedade, disse. Cunha lembra que há dez anos o Paraná chegou a ter 2,4 mil hectares de maçã; hoje os pomares não ocupam mais que 1,2 mil ha, uma redução de 50%. Para ele, quem está se mantendo na atividade é porque tem renda de outras culturas, que contribuem para investir em tecnologia para elevar a produtividade e qualidade da maçã.
O abandono dos pomares está ocorrendo lentamente nos três Estados do Sul, em função do acúmulo de prejuízos. Além da retração de consumo agravada este ano, os produtores vêm enfrentando dificuldades para concorrer com o produto importado e com o excesso de tributação que incide sobre a fruta, reclamou Cunha. Segundo ele, a maçã e a pêra são as duas únicas frutas que pagam ICMS. Essa é uma discriminação herdada do passado quando o consumo da fruta ficava restrito à crianças ou pessoas doentes.
A tributação da maçã nacional atinge 30% sobre o faturamento, sendo 19,8% em impostos diretos e o restante indiretos. As maçãs chilena e a argentina têm um tributação que varia de 12% a 15%, agravando as dificuldades de competição. Essa situação levou as grandes empresas que se instalaram em Guarapuava na década passada a abandonar seus pomares. A redução de área atingiu quase 100%. O município chegou a ter 39 produtores que controlavam uma área de 1.400 hectares e hoje a área cultivada com maçã não passa de 100 hectares.
Já na região de Curitiba e Porto Amazonas, onde as empresas e produtores estão há menos tempo na atividade, o cultivo de maçã está se mantendo. Cunha atribui essa situação ao fato de que empresas e atividades mais novas não carregam o passivo de períodos anteriores, acumulado com os sucessivos planos econômicos.
Cunha antecipou que a Associação Brasileira de Produtores de Maçã está negociando com o governo federal a destinação de recursos para um amplo programa de apoio e recuperação à pomicultura do Sul do País, nos moldes do programa de incentivo à fruticultura no Nordeste.


