Vânia Casado
De Curitiba
Este ano, pelo menos 15 mil produtores de fumo estão saindo da atividade nos três estado do Sul. No Paraná, a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil) estima que 1.500 produtores saíram da atividade em função da baixa produtividade. A cultura mobiliza 158 mil pequenos produtores que plantam o fumo no sistema integrado com as indústrias. Para Silvino Antonio Muller, inspetor regional da Afubra no Paraná, os produtores que estão desistindo da atividade, vão engrossar a população na periferia das cidades porque não têm tecnologia para se adaptarem a outras culturas.
A Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura do Paraná (Fetaep), faz uma outra interpretação da evasão dos produtores. Segundo Sérgio Gutierrez, assessor econômico da entidade, os produtores estão desanimados com os baixos preços pagos pelo produto. ‘‘Há três anos que as três grandes multinacionais do fumo, que controlam 80% do mercado, não negociam preços com os produtores’’, destacou. Gutierrez ressalvou que na safra passada os produtores tiveram reajuste de 5%, mas esse percentual é pouco em relação ao aumento dos custos de produção.
Para Muller, da Afubra, a queda de 10% a 12% na área plantada, este ano, está acelerando a decisão dos produtores com baixa produtividade a saírem da atividade. As indústrias de fumo brasileiras que exportam o produto estão readequando a produção da safra 99/2000 para enxugar o excesso de oferta de fumo no mercado internacional. A previsão é que a área plantada fique em 238 mil hectares, distribuídos entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com uma produção de 470 mil toneladas. Na safra anterior a produção foi de 548 mil toneladas.
Diante dessa readaptação das indústrias, a expectativa fica por conta da definição dos preços da safra 99/2000, que será discutida em setembro. Segundo Muller, devem ser preservados no mínimo os R$ 2,10 por quilo de fumo, já anunciados na última safra. Ocorre que as condições climáticas não foram boas, com excesso de chuvas e o preço médio pago aos agricultores ficou entre R$ 1,85 e R$ 1,95, porque a qualidade atingida não foi considerada ideal.
Com o estreitamento das margens de lucro, Muller disse que os produtores não têm como sobreviver com uma produtividade abaixo de 2 toneladas por hectare. Para se manter na atividade, ele recomenda a diversificação das culturas porque em ano de baixa, uma cultura compensa a outra. ‘‘Ocorre que os produtores ficaram acomodados só com a cultura de fumo porque as indústrias pagavam bem e agora que elas estão promovendo redução no plantio, só devem ficar aqueles que têm tecnologia’’, explicou.
Gutierrez, da Fetaep, diz que a culpa da falta de tecnologia é das próprias empresas fumageiras, que reduziram custos e cortaram o quadro de engenheiros agrônomos que davam assistência técnica no campo. Com isso, ele admite que a produtividade de muitos produtores caiu mesmo. ‘‘Mas no momento que elevar a demanda de fumo, as indústrias voltam a cadastrar produtores, mesmo aqueles que elas dizem ter baixa tecnologia’’, afirmou.

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