Baixa taxa de uso é prejuízo na certa
O estudo de Laurenti conclui até que ponto a terceirização é interessante para o agricultor; ou quando e a partir de que escala é compensador investir em maquinaria própria. Isto, compatibilizado com o valor do capital empatado no equipamento.
Um dos capítulos da tese sugere que áreas acima de 70 hectares (de grãos) já justificam a existência de colheitadeira própria, quando o valor do investimento ficar em torno US$ 70 mil.
A lógica para encontrar a economicidade dessa relação leva em conta o princípio de que Quanto mais intenso for o uso da máquina no tempo, menor será o seu custo fixo unitário.
O que ocorre - explica o pesquisador - é que antigamente o produtor comprava a totalidade da vida útil das máquinas. Agora ele só compra o que é necessário.
O investimento em máquinas, principalmente aquelas de uso mais específico, acaba prendendo o agricultor a uma determinada cultura, sem mobilidade para optar por outra atividade que acene com mais lucro. Imagine o agricultor que dois ou três anos atrás tenha adquirido uma colheitadeira de algodão. Como a mercadoria está sem preço não tem atividade para fazer uso do capital (investido no equipamento) e acaba insistindo numa exploração que não acena com rentabilidade.
Por outro lado, o agricultor que não investiu (não imobilizou) capital em máquinas pode imprimir uma administração mais dinâmica; sua decisão em torno do que plantar é mais flexível. Ele pode, por exemplo, mudar de uma cultura para outra bem próximo do início da safra, quando os indicadores de mercado já estão bem definidos.
A terceirização liberta o agricultor para aquilo que Laurenti, na linguagem mais acadêmica chamaria de inserção flexível do mercado de produtos agrícolas. Se na lavoura motomecanizada os agricultores não precisarem mais imobilizar seu capital em máquinas, ou seja se todos os trabalhos agrários fossem feitos por terceiros, certamente eles teriam uma melhor condição para executar uma agricultura flexível e o abastecimento se beneficiaria de uma produção direcionada para onde o mercado demandasse.
Enfim, a vantagem da terceirização está na redução do tempo de imobilização do capital. Essa redução só ocorre porque o equipamento vai trabalhar para vários produtores.
Executando exclusivamente as atividades de uma unidade agrícola, dificilmente uma colheitadeira vai trabalhar durante 1.000 horas por ano. Essa seria a jornada necessária para amortizar o seu investimento - financiado em média pelo prazo de oito anos. Em geral o prazo não é suficiente para o retorno econômico do capital investido. Se o retorno demora, a economia gerada pelo equipamento não é suficiente para cobrir a sua depreciação. O preço relativo da colheitadeira se torna maior pela baixa taxa de utilização do equipamento.
Desde 1985 Em 1985, conforme estimativas baseadas no Censo Agropecuário, havia no Brasil um contingente de 993.869 estabelecimentos rurais, cujos titulares declararam fazer uso de instrumentos de terceiros para trabalhos diretos. Segundo Laurenti, a importância relativa dessa prática para a condução dos trabalhos agrícolas, é denotada pelo fato de que, naquele ano, existiam apenas 2.326.744 estabelecimentos rurais cujos responsáveis informaram não fazer uso exclusivo da força humana na execução de trabalhos diretos. Para cada grupo de 10 estabelecimentos rurais existiam quatro que dependiam da capacidade operacional de terceiros, em termos de instrumentos de trabalho.
As empresas de prestação de serviços na área de Recursos Humanos também constatam a rápida expansão da terceirização na atividade agrícola. No entanto, conferem maior atribuição deste fato à fuga dos encargos trabalhistas. Para os especialistas em administração de RH, a terceirização é uma forma de evitar o vínculo empregatício. Na decisão do empresário, pesa o rigor da legislação trabalhista que - segundo eles - é unilateral e privilegia os interesses do empregado. (O.P.).





