Rio de Janeiro - Embora tenha recuado em relação a janeiro, a inflação sentida pelos mais pobres no segundo mês deste ano foi a mais intensa para um mês de fevereiro em seis anos: o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) subiu 0,9%. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, essa alta foi a mais forte para este mês na série histórica do índice, iniciada em janeiro de 2004. O índice mensura o impacto da inflação entre famílias com ganhos entre 1 e 2,5 salários mínimos mensais.
De acordo com ele, as taxas de fevereiro para o IPC-C1 normalmente sobem em torno de 0,20%, em média. Braz comentou que vários itens com grande peso no orçamento das famílias mais pobres estão subindo de preço, tanto em seu resultado na margem como no acumulado em 12 meses. É o caso de açúcar refinado, que avançou 12,24% em fevereiro ante janeiro e registrou elevação de 68,63% em 12 meses; e ovos, que subiu 5,28% em fevereiro e acumulou aumento de 1,55% em 12 meses.
As famílias de baixa renda gastam em torno de 40% de seu orçamento mensal na compra do índice. Segundo o técnico, a taxa em 12 meses do IPC-C1 até fevereiro, de 5,07%, é a mais intensa desde setembro de 2009, quando subiu 5,13%.
O economista admitiu que, na comparação com janeiro, o cenário de preços entre as famílias de baixa renda foi menos pressionado. O Índice de dispersão, que mede o porcentual de produtos com variação positiva dentro do indicador, foi de 55,86% em fevereiro, ante 64,83% em janeiro. Entretanto, Braz comentou que os dois primeiros meses do ano, de uma maneira geral, foram afetados por reajustes de preços característicos desta época do ano, como mensalidades escolares; e por notícias de reajuste em tarifa de ônibus urbano, que representa 11% do orçamento mensal das famílias mais pobres pesquisadas pelo IPC-C1. Isso elevou as taxas dos índices que apuram a inflação junto ao consumidor.
''É um começo de ano atípico, mas o do ano passado também foi'', disse, lembrando que, no começo do ano passado, a economia brasileira teve que lidar com os efeitos da crise global - e, este ano, as famílias brasileiras têm que lidar com as consequências da recuperação pós-crise. A retomada da demanda no mercado doméstico eleva procura por produtos, em relação à oferta disponível, levando a um cenário de aumento de preços.
Para março, o ambiente de preços deve ser bem menos pressionado. Isso porque o impacto de reajustes realizados no início do ano já terá sido captado pelo indicador. ''Sem a influência destes reajustes, principalmente de ônibus urbano, a taxa do IPC-C1 deve cair para em torno de 0,50% em março'', afirmou, acrescentando que o resultado deve ser bem próximo ao registrado em março do ano passado, quando o indicador subiu 0,51%.

mockup