Baixa renda reserva produtos caros para final de semana
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sexta-feira, 25 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo A prioridade da mulher brasileira de baixa renda é a educação e o conforto dos filhos, para a maioria o centro da família, independentemente da figura do pai, marido ou namorado, que ficam em segundo plano. A religião, por sua vez, é o terreno onde se sentem respeitadas e importantes e onde aliviam as agruras do dia-a-dia. Com renda familiar de R$ 700 a R$ 1,2 mil, essa mulher dá valor às marcas tradicionais de produtos, mas depende de promoções para comprá-las.
Em função dessa condição, dão prioridade aos produtos de menor custo, embora procurem ter em casa aqueles de marca, para usar nos fins de semana ou quando recebem visitas. Usa-se qualquer sabonete durante a semana e o Phebo nos sábados e domingos, porque dá status e ajuda a recuperar a auto-estima. O mesmo vale para o óleo de soja e o azeite de oliva.
Os hipermercados exercem para essas mulheres o mesmo fascínio que os shopping centers têm sobre a classe média. São lugares de compra e lazer. Em linhas gerais, esse é o retrato da mulher brasileira de baixa renda traçado por pesquisa qualitativa da agência de publicidade Ogilvy, que usou o metódo Discovery, o qual propõe uma imersão na vida e nos hábitos de um determinado grupo de consumidores.
As conclusões da pesquisa que a Ogilvy intitulou Opção: Vida - Retrato da Mulher de Baixa Renda são resultado de mais de 70 horas de fitas de vídeo, com entrevistas de 10 mulheres residentes na periferia de São Paulo. Marcelo Novazzi, gerente de Pesquisa da Ogilvy, explica que as mulheres das classes C, D e E respondem por 40% do consumo no País e são as mais abertas às novidades, constituindo um mercado potencial de vários lançamentos.


