Baixa renda está comendo mais e melhor
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terça-feira, 18 de março de 1997
Agência Estado, de Brasília 
O pãozinho de 50 gramas pode ser considerado o vilão do Plano Real, pois é o único produto que se compra em menor quantidade, hoje, com um salário mínimo do que em 1994. Em compensação, é possível comprar quase 60% mais de carne bovina de 2ª, 13,2% a mais de frango, 20 dúzias a mais de ovos e 50 quilos de arroz.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Francisco Turra, divulgou ontem pesquisa, feita junto a várias entidades ligadas à agricultura, em que demonstra que as populações de baixa renda estão comendo melhor, e comprando mais alimentos que no início do Plano Real. A única exceção registrado, no caso do pãozinho, é atribuída à especulação das padarias, que chegam a cobrar até 100% mais pelo produto que os supermercados.
Em 1994, um salário mínimo comprava 76 quilos de frango, hoje compra 86 quilos. No início do Plano Real, era possível comprar 26 quilos de carne de segunda e com o mesmo salário mínimo hoje dá para se obter 42 quilos. O presidente da Conab destaca ainda que o abastecimento interno está garantido este ano e afirma que o brasileiro está mesmo comendo mais proteínas.
Em 1994, o brasileiro comia, em média, 19,2 quilos de frango por ano e a estimativa para 1997 é de que o consumo per capita atinja 23,2 quilos, um crescimento de 21,7%. No caso de leite e derivados o aumento também é significativo: de 111,1 litros consumidos por pessoa em 1994, poderemos chegar ao final deste ano com uma média de 138,4 litros, o que representa um acréscimo de 24,55%.
O quadro é parecido para a carne bovina, em que o consumo percapta passa de 28,7 quilos em 1994 para 32,4 quilos este ano, e também para as carnes suínas, que salta de 8,2 quilos por habitante/ano em 1994 para 9,3 quilos este ano. Há redução de consumo prevista para o arroz, que cai de 75,2 quilos por habitante/ano em 1994 para 74,1 quilos este ano e do trigo, de 51,3 quilos no início do Plano Real para 50,3 quilos em 1997.
O abastecimento será tranquilo, de acordo com a pesquisa feita pela Conab, com base nos estoques do governo e na produção da safra atual. Para uma estimativa de consumo per capita de 74,1 quilos de arroz este ano, a oferta é de 80,2 quilos; de feijão são 20,9 quilos por habitante/ano enquanto a oferta chega a 23,6 quilos e a demanda estimada de trigo é de 51,3 quilos para uma oferta de 59,2 quilos. Para o óleo de soja o consumo é estimado em 17,1 quilos por habitante e a oferta de 18,5 quilos. .


